1. O Médico e o Monstro --------------------------------
1966
2. A Revolução dos Bichos -----------------------------
1969
3. O Que é Isso Gabeira -------------------------------–
1984
4. Fausto –-----------------------------------------------------
1985
5. Putz – A Menina que Buscava o Sol -------------
1985
Anos 60 – Um início desastrado
Toninho Buda sempre teve sua vida ligada ao teatro. Sua
primeira experiência no assunto foi uma desastrada
apresentação de O Médico e o Monstro,
em Três Corações, em 1966 (peça
“dirigida” então pelo barbeiro José
Faroeste). Toninho fez o papel principal, do médico
que virava monstro... Esta seria a atração
para os convidados do baile de formatura do Colégio
Estadual da cidade, mas acabou destruindo a festa e aborrecendo
profundamente os convivas, devido à péssima
performance dos atores e a absoluta desordem na seqüência
dos atos... A bagunça foi tanta que, na hora em que
o monstro estava caído no palco e deveria ser morto
com uma estaca no peito, o seu “matador” estava
dormindo no camarim, completamente embriagado. No dia seguinte,
os atores foram chamados a dar explicações
para o vexame, na direção do Colégio
Estadual...
(foto01)
Toninho como o Porco Garganta, em 1969
Sua segunda experiência teatral aconteceu como soldado
do exército, em Três Corações
– MG, no dia 23 de maio de 1969 (Toninho estava lá
porque os recrutas que fossem fazer teatro eram dispensados
da educação física). Na ocasião,
participou da peça Revolução dos Bichos
(de George Orwell), numa apresentação também
de péssima qualidade, pois a platéia não
conseguia ouvir o que os “bichos” diziam no
palco, por causa das máscaras de papelão que
tampavam toda a cabeça... E os atores quase morriam
de dor de cabeça após as apresentações,
por causa do forte cheiro de tinta a óleo, que exalava
das máscaras recém-pintadas. Toninho fez o
papel do Porco Garganta, que num momento trágico
do enredo, executa a golpes de facão as ovelhas que
desobedeceram os 7 Mandamentos da Revolução...
Anos 80 - Teatro Profissional
No teatro profissional, Toninho Buda trabalhou como ator
profissional ao lado de Beth Coelho no grupo Pagu Teatro
e Dança, de Belo Horizonte (em 1984), na peça
O Que é Isso, Gabeira, trabalho de criação
coletiva sobre a obra do escritor Fernando Gabeira. A peça
estreou na Capela Galeria de Arte (hoje já demolida),
em Juiz de Fora (que é a terra natal de Gabeira.
Evidentemente ele compareceu ao evento), e o jantar de confraternização
foi realizado no Restaurante Macrobiótico Obreiros
da Terra, comunidade da qual Toninho Buda também
fazia parte. Depois da estréia, o grupo percorreu
todo o Sudeste brasileiro (principalmente Minas, Rio e São
Paulo). Fernando Gabeira ajudou no que pôde, para
a divulgação do grupo.
(foto02)
Fernando Gabeira, Beth Coelho e Toninho Buda (Juiz de Fora,
1984)
(foto03)
O Grupo Pagu Teatro e Dança na estréia em
Juiz de Fora, em 1984.
O maior interesse de Toninho em fazer esse trabalho era
o fato de que tanto ele quanto Fernando Gabeira estavam
muito ligados aos movimentos alternativos nos anos 80 (Toninho
na Sociedade Alternativa e Gabeira no Partido Verde e lançando
livros de crítica social profunda, como Sinais de
vida no Planeta Minas).Numa apresentação do
grupo no teatro da UFF, em Niterói, Toninho viria
a conhecer a Lourdes, uma mulher que ficaria com ele por
um período conturbado, mas riquíssimo. Em
outra apresentação, no Rio, ele viria a reencontrar
Eveli, aquela da sua infância...
E em mais outra apresentação do grupo Pagu
em São Paulo, Toninho teve a felicidade pessoal de
ter seu trabalho como ator elogiado pelo diretor Antunes
Filho. Mas o famoso diretor levaria com ele apenas Beth
Coelho, para trabalhar com ele na Europa, na peça
Romeu e Julieta, ao som dos Beatles... A saída da
Beth foi traumática para o grupo, porque ela era
a maior força e expressão do conjunto, além
de ser a responsável pela criação da
maioria das cenas da peça. Mesmo assim, a diretora
Carmen Paternostro tentou substituí-la. Com o surgimento
de outras dificuldades cada vez maiores, o grupo acabou
se dissolvendo no final de 1984, sem realizar o seu sonho,
que seria uma apresentação na Alemanha, patrocinada
pelo Instituto Goethe...
Anos 80 - Teatro Amador
Com o fim do Pagu Teatro e Dança, a convite do diretor
José Luiz Ribeiro, Toninho foi trabalhar, em 1985,
no Grupo Divulgação, de Juiz de Fora, nas
peças Fausto, de Goethe, e Putz – A Menina
que Buscava o Sol. Na adaptação de Fausto
feita por José Luiz Ribeiro, Toninho Buda acabou
ficando com o papel principal – do próprio
Fausto - e José Luiz fez o papel de Mefistófeles
(o Diabo).
(foto04)
Cartaz da peça Fausto, do Grupo Divulgação,
1985
(foto05)
Cena do Ritual das Bruxas, em Fausto (Toninho ao centro,
debaixo do pentagrama invertido)
(foto06)
Toninho na matéria sobre o recorde de Fausto, em
40 anos do Grupo Divulgação
(foto07)
Texto de Toninho Buda sobre a simbologia em Fausto, de Goethe.
(foto08)
Toninho vestido como Fausto rejuvenescido pelo ritual das
bruxas
A peça fez enorme sucesso na época. Havia
um tempero a mais no fato de que Toninho já era bastante
conhecido na região por suas ligações
com bruxaria e magia. E o tema da peça tratava exatamente
de um pacto do personagem Fausto com o demônio! Quem
conhecia esses detalhes, não queria perder o espetáculo
de forma nenhuma... O Grupo Divulgação está
completando 40 anos de existência. E Fausto foi seu
recorde de público durante todo esse tempo.
Apresentações Teatrais
Tanto como cover de Raul Seixas, quanto fazendo palestras
sobre Astronomia, discos voadores ou Mitologia Grega, Toninho
Buda sempre procurou, quando achava ser conveniente, apresentar-se
de forma teatral. Certa feita, nos idos de 1986, fez uma
palestra pública sobre a Mitologia Grega, junto com
o teatro de quintal, no restaurante Bertu’s (na rua
Santo Antônio, em Juiz de Fora). Na ocasião,
Toninho vestiu-se de Dioniso (para os gregos) ou Baco (para
os romanos).
(foto09)
Toninho Buda como Dioniso, em apresentação
com Teatro de Quintal, JF, 1986
(foto10)
Toninho Buda e Guedes em palestra de Astronomia na Noite
do Bizzu, JF, 1982
(foto12)
Toninho Buda (dir) e Luis Carlos Maciel, na Noite do Bizzu,
JF, 1982
(foto13)
Toninho Buda, Ney Latorraca e Aurélio Péres
Em 1982, Toninho e Antônio Guedes fizeram uma palestra
sobre Astronomia na famosa Noite do Bizzu (festas que eram
realizadas por ocasião do lançamento de um
novo número da Revista Bizzu, veículo principal
da contracultura na época). O que houve de diferente
nesta palestra é que Toninho e Guedes falavam de
assuntos diferentes e ao mesmo tempo, com o mesmo equipamento
de som. Em 1983, apresentando-se também na noite
do Bizzu, junto com o Teatro de Quintal e vestindo uma roupa
de extraterrestre, Toninho aborreceu-se com as vaias da
platéia e acabou tirando a roupa e dançando
nu a música “S.O.S.” de Raul Seixas.
O fato virou folclore na cidade para as décadas seguintes
e os livros que relatam a história da cultura nos
anos 80 não deixam de menciona-lo e mostrar suas
fotos (batidas na época pelo fotógrafo Humberto
Nicolini).
Em muitas outras ocasiões, Toninho fez sozinho ou
junto com outros colegas, apresentações em
praça pública sobre diversos temas. Muitas
dessas apresentações foram filmadas e fazem
parte, por exemplo, do filme Contatos Imediatos do IV Graal
(ver seção 6 – Cinema e Vídeo).