JORNAL DO ROCK

Entrevista com Marcelo Nova


Toninho Buda & Júlia Marina, 8 maio 2004

Entrevista Realizada no Hotel Colina
Juiz de Fora, 8 maio 2004, de 17:10 às 17:30hs.
Tempo de entrevista: 20 minutos.
Toninho Buda: Gravador e fotos.
Júlia Marina: filmadora.


Toninho Buda – Marceleza, em 21 anos de carreira, você já lançou 15 discos e está preparando o 16º. Se der tempo, a gente fala disso depois... Bem, inicialmente eu gostaria de falar um pouco da história do rock no Brasil, especialmente de Juiz de Fora. O 3o Festival de Rock de Juiz de Fora realizou-se nos dias 17 e 18 de maio de 1986. Dele participaram grandes bandas e artistas da época, como Cazuza, Titãs, Robertinho de Recife, Celso Blues Boy, Ira e muitos outros. Mas principalmente uma banda recentemente surgida no cenário nacional e cujo nome era considerado um palavrão e uma obscenidade, o Camisa de Vênus! As músicas do Camisa e de algumas outras bandas, durante o festival, deram motivos suficientes para que o Arcebispo Metropolitano, Dom Juvenal Roriz, publicasse uma semana depois, no Domingo, 25 de maio de 1986, no jornal Tribuna de Minas, este Manifesto, do qual eu trouxe uma cópia para você (entrega a cópia ao Marceleza, que arregala os olhos)... Como você sabe, Juiz de Fora é considerada a cidade mais conservadora do país. A “revolução” de 1964 nasceu aqui... Como você se sente, voltando a esta cidade???...

Marceleza (lendo em voz alta e empostada o Manifesto do Arcebispo Metropolitano – no texto, em negrito -, fazendo comentários, que estão em caixa baixa no texto): “ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA : Ao Povo de Deus da Arquidiocese de Juiz de Fora. Meus irmãos e minhas irmãs! Realizou-se na semana passada um festival de rock em Juiz de Fora. Pelo que foi noticiado, consta que aquilo foi mais que tudo um festival de blasfêmias e falta de respeito a tudo que temos de mais santo e digno de veneração, a pessoa de Deus, a mãe, a família, o amor. Em nome do povo de Deus da Arquidiocese, em nome do bom senso, da cultura e da civilização, condeno e repudio o proceder de certos cantores, que foram não só irreverentes, mas blasfemadores contra a pessoa de Deus. Olha eu aí, eu mesmo, essa aí é prá mim!...

Um verdadeiro festival, mais que tudo, deve contribuir para a cultura e a elevação de nosso nível humano e cristão. O sentimento cristão de nossa cidade foi ferido e ultrajado. Nossa comunidade não pode compactuar com atos que podemos qualificar de autêntica selvageria. Faço um veemente apelo aos pais e professores, a fim de que eles protejam e orientem nossa juventude tão tristemente traída e enganada por elementos desclassificados. Olha eu aí de novo, “elemento desclassificado”!

Dirijo-me também aos promotores do festival e lembro-lhes a palavra muito séria da Sagrada Escritura: “Não vos iludais: de Deus não se zomba: o que o homem semear, isso colherá” (Gl.6,7). Com ardentes votos de que tais excessos não se repitam, sou na Graça e na Paz do Senhor – Dom Juvenal Roriz / Arcebispo Metropolitano” – (gritando) FALÔÔÔ, JUVENAL, GOSTEI DE VER! Pôrra, um “blasfemador”! Mas eu não posso dizer que é mentira... É isso mesmo, é isso mesmo, o Arcebispo tem razão, ele tem razão, o Arcebispo tá certo!”...

Marceleza (prosseguindo, mais sério): Este é um país conservador, não é apenas esta cidade... este é um país conservador, em todos os aspectos. Agora, é bom voltar a uma cidade onde eu estive há tanto tempo atrás, porque eu vou estar tocando para uma outra geração, e isto me interessa como artista. Eu nunca procurei, em nenhum momento da minha carreira, escolher um público ou trabalhar em função de um público específico. Eu gosto de saber que as minhas canções podem ser ouvidas por estudantes, militares, roqueiros de plantão e arcebispos.

Toninho Buda: Marcelo, apesar da tua famigerada agressividade, você tem um relacionamento excelente com o povo do rock, aqui no Brasil e até no exterior, desde um Charlie Brown Júnior até o Eric Burdon... Mas com...

Marceleza: Também não é “tão excelente” assim não (risos)...

Toninho Buda: ... mas a minha pergunta é exatamente a seguinte: com quais grupos você realmente gosta de tocar? Por exemplo, eu vim ouvindo...

Cláudio Coelho (Gerente da Seven, Selo da Sony Music, que trouxe o Marcelo Nova a Juiz de Fora, interrompendo para apresentar um repórter de televisão): Dá licença... Marcelo, esse é o Fred, da TV Visão...

Marceleza: E aí, Fred da televisão, você vai bem?...

Cláudio Coelho: Não, Marcelo, não é “televisão”, é TV Visão...

Marceleza (rindo): Há, é o Fred, da TV Visão, tá certo...(risos) depois a gente bate um papo... deixa eu terminar aqui...

Toninho Buda: ... mas, então, Marcelo, nós viemos ouvindo no carro você cantando junto com a banda das Velhas Virgens, de São Paulo. Dessas participações que você já fez, com qual banda você realmente gosta de subir no palco e tocar?

Marceleza: Na verdade, eu fiz isso pouquíssimas vezes... O Charlie Brown é uma exceção, porque o Charlie Brown é uma mega banda que está na mídia e toca direto em rádios. Foi talvez uma exceção. As minhas participações foram com bandas como as Velhas Virgens, que é uma banda que eu adoro, uma banda que faz uma coisa visceral e divertida, sem nenhuma pretensão que não seja divertir, e funciona! Porque às vezes não tem pretensão nenhuma e também é uma porcaria, porque se você não tem pretensão nenhuma você não atinge nada e não chega a lugar nenhum... Mas no caso do Velhas, eles fazem muito bem essa mistura de sexo, drogas e rock’n’roll, é perfeito, eles fazem isso muito bem!... Mas tem outras bandas... Tem uma banda de Santa Catarina, chamada Kapa... Teve uma banda de Jundiaí, chamada Viúva Negra, a maioria é composta de bandas que estão no primeiro ou no segundo disco, e que às vezes me mostram o trabalho, eu gosto e a gente acaba se divertindo de alguma forma.

Toninho Buda: Agora eu queria falar um pouco sobre o movimento punk de São Paulo. O movimento punk de Sampa me parece que hoje está mais dividido do que o PT, em muitas facções diferentes. Consta que você, hoje, não faz mais uso de drogas. Você conhece um movimento de punks vegetarianos em São Paulo, chamado de VERDURADA, lá do bairro Jabaquara???

Marceleza: Bicho, olha, eu não conheço... olha, há coisa de dois anos atrás, eu estava indo para a Galeria do Rock, em São Paulo, onde existem dezenas e dezenas de lojas que só trabalham com o rock, todos os gêneros de rock... E quando eu fui chegando lá, tinha um caminhão aberto, com uns 50 ou 100 dos assim intitulados punks. E em cima do caminhão estavam dois deles fazendo um discurso inflamado contra “o preconceito ao punk”. O cara com aqueles cabelos de índio mowhowck, e gritando assim: “é preciso acabar com esse preconceito contra nós, punks, porque nós não podemos entrar num shopping center sem sermos discriminados, nós não podemos andar num sei onde, sem sermos discriminados”... Aí eu não resisti... eu ia passar direto, mas eu não resisti e disse: “Cacete, pôrra, então vá para um convento! Punk é prá ser discriminado, cacete! Que graça é que tem ‘punk aceito’, pôrra???” É curioso isso... O surgimento do punk foi uma coisa tão interessante, do ponto de vista artístico, porque possibilitou a uma série de pessoas, eu inclusive, que não tinham tido experiência específica nenhuma com o academicismo da música, a iniciar a se expressar. Esse mérito que o punk rock tem, ninguém consegue tirar. Muito gente não tinha talento nenhum, mas outros conseguiram através dele, uma brecha na história do rock, um caminho, e poder viabilizar um trabalho. Mas quando a coisa vira dogmática, perde a graça completamente. Vira uma coisa de carteirinha, de coturno, casaco de couro, cabelo arrepiado, e aí começa a virar uma coisa que não me interessa... Eu não gosto de movimento nenhum...

Toninho Buda: Falar em movimento, nos Estados Unidos os punks lançaram a campanha Rock Against Bush, para impedir a reeleição do Presidente George Bush. E grande bandas punks, como o Anti-Flag, Bad Religion, Foo Fighters, Green day, estão apoiando o movimento... e o lema deles é o seguinte “votar no Bush não é punk”... O que você acha desse envolvimento do punk com a política? ... Pois o punk é anarquista e normalmente eles deveriam ser contra a concepção de Estado... esse negócio de “punk votando”, como é que você vê esse negócio?...

Marceleza: ... Bem, também tem o seguinte, punk também é muito conservador. Eu acabei de falar sobre isso. Essa pseudo-anarquia embutida no assim chamado movimento punk também... Isso foge à realidade. Eles andam todos fardados, eles pensam em bloco e qualquer um que se desvie do ideário e transgrida o manifesto punk é execrado. Eu nunca me interessei por nenhum tipo de movimento político... Talvez eu seja utópico, mas eu penso que nós temos que assumir a responsabilidade por tudo o que fazemos, independente de leis, de políticos, de repressão, de punks, e seja lá do que for... Eu moro em um apartamento em São Paulo e tenho um equipamento de som muito potente e eu gosto de dormir muito tarde, quase sempre depois de uma, duas ou três da manhã. Mas eu não posso, às três da manhã, ouvir Jimmi Hendrix “no talo”, como eu gosto de ouvir, porque eu vou estar atrapalhando as pessoas que moram em baixo e em cima, e que vão ter que acordar cedo para trabalhar. Então é isso, se eu consigo respeitar o horário das pessoas e perceber que não é hora de ouvir o som na altura que eu gosto, eu estou me privando do meu prazer, mas por outro lado estou preservando um código de comportamento e de ética, sem que ninguém me ensine, sem que eu precise estar inserido em nenhuma tribo. Isso me agrada.

Júlia Marina: Marcelo, a mídia tem como estratégia pegar esses movimentos contraculturais e tranformar em mercadoria, para tirar esse caráter subversivo. É o caso que aconteceu com o rock e com o punk. Hoje você compra no shopping o estilo... O que você acha disso...

Marceleza: Tem algumas bandas do rock brasileiro que se vestem de roupa de griffe, é engraçado...

Júlia Marina: ... É, com certeza... Você acha que ainda existe uma ideologia forte, no Brasil, hoje, em relação a esses movimentos de contestação?...

Marceleza: Eu não sei, eu não sou a pessoa certa para você perguntar, porque eu sou muito individualista para me preocupar com movimentos, entendeu?! Eu não me interesso por movimento NENHUM. Eu parei de votar... A última vez que eu compareci a uma eleição foi quando eu votei em Mário Covas, no segundo turno daquela eleição em que Fernando Collor de Mello ganhou. Quando houve o segundo turno e ficaram Lula e Fernando Collor, eu decidi que eu não tinha mais que votar... Não tem jeito, você entende... a idéia de política no Brasil é muito personificada pelo candidato... Fica uma coisa de “votar em fulano ou votar em cicrano”... Então eu prefiro votar em mim mesmo...

Júlia Marina: E a sua relação com a mídia? Você tem uma...

Marceleza: Olha, não é sexual, não... É assim, de passagem... Às vezes a gente se cruza, às vezes é prazeroso, às vezes é uma porcaria... Mas é assim, eu nasci torto, eu sempre fui um azarão, eu sempre corri do outro lado, eu sempre fui um vira-lata... Com toda a dignidade que pode estar contida num vira-lata... Eu só não me interesso pelo Cannel-Club, pela Madame, pela coleguinha de poodle e pela medalhinha de ouro... mas de resto, eu continuo latindo e fazendo xixi no poste... na medida do possível...

Júlia Marina: E essa distância com a mídia, você acha que é necessária?...

Marceleza: Não, eu não sei se é necessária, eu não faço porque é necessária, eu faço porque é assim que eu sou. Esses mecanismos de aproximação e distanciamento de mídia são tão curiosos... quando eu vendi 260 mil discos de um álbum chamado “Correndo o Risco”, eu não fiz aquilo com a intenção de ganhar um disco de platina. E ganhei , e virei página de jornal, etc, etc, etc... No entanto, eu já fiz outros trabalhos que eu gosto tanto ou mais do que o “Correndo o Risco”, que, ao invés de ganhar Disco de Ouro eu ganhei Disco de Couro, porque não vendeu merda nenhuma, você tá entendendo?!... E eu fico questionando o seguinte, se isso realmente tem alguma importância, do ponto de vista artístico. Evidentemente a mídia te coloca num patamar onde você pode vender seus shows mais caros, você tem um destaque maior, você começa a ser mais solicitado, e econômica e comercialmente falando, é um bom negócio estar sempre em evidência na mídia. Mas o que você tem que fazer para chegar lá... e nem sempre eu estou disposto a abrir mão das minhas convicções...

Toninho Buda: Marcelo, em 1984, a Juçá estava promovendo no Circo Voador o RPB – Rock Popular Brasileiro, e estavam lá você e o Raul Seixas cantando juntos, com o Lobão na bateria. Você se lembra disso?

Marceleza: Lembro! Claro que lembro, foi a primeira vez que nós tocamos juntos.

Toninho Buda: Naquela época, o Raul estava lançando o Metrô Linha 743, que era o “album preto e branco” dele, e que ele também, lá no Circo, chamou de RPB – Raul Preto e Branco... E você, curiosamente, fez agora com o Eric Burdon, a música “Black and White World”... Essa coisa de preto e branco no rock, que diabo significa isso?...

Marceleza: É... talvez a possibilidade de... “na junção dos extremos você encontrar um espectro muito colorido!”... (risos)

Toninho Buda: Em 1988, eu morava em São Paulo e tive oportunidade de assistir alguns ensaios seus junto com o Raul Seixas e sou testemunha do esforço que você fez para que o Raul continuasse a fazer o que ele queria, que era tocar e cantar rock’n’roll. Eu queria saber se te incomodam ainda esses comentários de pessoas mal informadas, que ficam dizendo que você “se aproveitou do Raul Seixas”...

Marceleza: Não me incomoda nem um pouco. Eu nunca me preocupo com o que dizem de mim. Eu não posso me dar a esse luxo. Eu tenho mais o que me preocupar na minha vida, para me preocupar com o que dizem, o que falam de mim... Vai ter sempre gente falando bem de mim, como vai ter sempre gente me detestando, falando mal. Eu entendo isso como uma coisa absolutamente natural. Quem sabe o que aconteceu entre eu e Ralzito somos somente eu e ele. Os caminhos que nós percorremos, as peculiaridades que nós enfrentamos, as situações com as quais nos deparamos, isso é uma coisa que é muito íntima e muito pessoal. Eu penso que, no momento em que eu assisti Raulzito... e eu tinha 15 ou 16 anos de idade, eu assisti ele tocando com Os Panteras, ele já comia as meninas e eu não comia ninguém. Aí eu disse “pôrra, eu vou ter que fazer uma banda de rock. Eu já descobri que o segredo é esse” entendeu?... Saíam do palco ele, Mariano, Carleba, cada um com uma mulher e eu dizia “rapaz, é isso que esses caras fazem...”. Eles tinham vinte e poucos anos e eu tinha quinze. Aí eu voltava prá casa e dizia “Pôrra, eu vou ter uma banda de rock’n’roll”... Então, a influência de Raul sobre mim é muito maior do que a influência musical. Musicalmente, na verdade, nós não tínhamos nem muita afinidade, no sentido de que ele era muito mais prolixo do que eu, ele mexia com vários elementos que eu não... Nossa afinidade era... nós tínhamos paixão por rockabilly blues e éramos dois artistas muitos ligados a texto, às palavras... e a importância de Raul sobre mim é muito maior sob o ponto de vista de apontar o caminho. Vendo Raulzito e os Panteras, aos 14 anos de idade, foi que eu disse “É essa pôrra que eu vou fazer na minha vida!” É isso aí, e foi o que eu fiz!...

Toninho Buda: Pôrra, muito legal! Bem, a Kika Seixas está preparando uma festa em homenagem aos 15 anos da morte do Raul Seixas, e você é uma das estrelas dessa festa. Você está preparando alguma coisa especial para essa festa?...

Marceleza: Não, na verdade não tem muito que preparar não... É chegar lá e fazer o que eu sempre fiz, que é tocar canções de Raulzito. Eu sempre fiz isso, desde que eu comecei a tocar. Não há nada de novo...

Toninho Buda: Marcelo, na música “Faça a Coisa Certa”, você pergunta “que coisa é essa?” o tempo todo. E as tuas respostas não parecem ser muito animadoras. O Raul, por outro lado, tem uma música chamada “Que Luz é Essa?”, que é um verdadeiro hino à esperança. Você tem algum tipo de esperança?

Marceleza: Não! Eu acho que a esperança é nociva! É por causa da esperança que nós não saímos do Status Quo. Porque nós estamos sempre na esperança... Ou seja: nós estamos sempre esperando. Esperando pelo Governo, esperando pela mudança, esperando por Deus, esperando por Nossa Senhora, pelo milagre, A esperança é uma tragédia! Nós precisamos matar a esperança e começar a por em prática as nossas ambições! (Risos)

Toninho Buda: Do caralho, Marcelo! Agora, eu tenho uma pergunta um tanto íntima, para encerrar o nosso papo, pois eu sei que está na hora do teu almoço. Você, Marcelo Nova, que é uma pessoa tão traumatizada com relacionamentos como a Sylvia e a Joana D’Arc... você já pediu alguma orientação sexual à Penélope???

(Nota: Penélope Nova, filha de Marcelo Nova e que está fazendo grande sucesso com o programa “Ponto P”, de atendimento sexual aos ouvintes, na MTV).

Marceleza: Cara, essa pergunta é curiosa porque... bem, eu tenho filhos com idades distintas. Tem a Penélope, que é uma mulher adulta e tem um garoto de 11 anos, que é o Drack, e a Felícia, que fica no meio. Então, desde a idade deles ainda muito tenra, eles foram criados sem nenhum tabu dentro de casa. Nós falamos sobre absolutamente TUDO. Eu me separei da mãe da Penélope quando ela ainda era uma garotinha, com 11 ou 12 anos. E ela foi morar comigo. Então eu tive que exercer a função paterna e tentar quebrar com a diferença de sexos, que é... Bem, hoje existe quase que uma unanimidade burra, que diz que “é tudo igual”, mas não é. Você só acha que é tudo igual quando você tem 17 ou 18 anos e fica o dia inteiro beijando sua namorada tchu-tchu-tchu-tchu-tchu, e ela a você tchu-tchu-tchu-tchu-tchu... Mas depois de um certo tempo, você começa a ver que homem e mulher são seres completamente diferentes, completamente distintos, e que se completam porque são distintos. Então, quando a Penélope fez 15 ou 16 anos, e começou a sair à noite e ir para baladinhas com os amigos, eu a chamei e tivemos uma conversa sobre... já tinhamos tido outras, antes... mas aí a conversa se tornou mais objetiva, para que a história da tal primeira vez não fosse algo que virasse um mistério, um tabu. E, como um pai responsável, eu entreguei para ela uma caixa de preservativos. E era muito gozado, porque eu tinha uma banda chamada Camisa de Vênus, que eu nunca pensei que iria servir para isso! E menos ainda, ver a Penélope, tantos anos depois, deitando e rolando sobre sexo!!! Aí eu olho e penso: “Pôrra, Marcelão, você é o responsável por isso!” (Risos).

Toninho Buda: Genial, Marceleza, eu acho ela um barato...

Marceleza: (gritando para o garçon) Jura?! Tá na mesa?! Gente, agora eu tenho uma necessidade premente! Eu preciso comer, porque eu sou da Liga das Senhoras Católicas, entendeu?... E nós precisamos nos alimentar porque essa viagem para Juiz de Fora foi uma viagem desbravadora: nós encontramos na estrada com o Aleijadinho... Mas ele agora tem uma cadeira de rodas com motor, entendeu, é nós viemos apostando corrida com ele, para ver quem chegava primeiro! E nós ganhamos!!!

Toninho Buda: Marceleza, muito obrigado por tudo! Eu só quero deixar aqui, para você, um exemplar do Jornal do Rock número 6, que está nas bancas, e também o número 4, que tem uma matéria com o Camisa de Vênus. E, por favor, tire uma foto com a gente!

Marceleza: ...‘Magina, bicho! Quem bate?...


 

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