JORNAL DO ROCK

O punk rock contra George Bush


Toninho Buda, maio 2004


No final dos anos 70, a banda punk The Clash detonou sua famosa turnê de cunho político chamada Rock Against Racism. Agora, 25 anos depois, nos Estados Unidos, um camarada chamado Fat Mike Burken está coordenando um movimento conclamando também os fãs do punk rock a lutarem para impedir a reeleição, no dia 2 de novembro de 2004, do atual Presidente George W. Bush. Em abril, Burken lançou o CD Rock Against Bush (Rock Contra Bush), cujos rendimentos serão utilizados neste projeto, que é chamado de Punk Voter. O movimento espera ter o sucesso do Rock for Choice (Rock por Escolha), de 1993, promovido pela MTV e o Partido Democrata, como apoio à campanha de Bill Clinton. O CD consta de 26 canções, a maioria inédita e composta exclusivamente para este trabalho, pelas maiores bandas punks da atualidade. Uma relação em ordem alfabética, de alguns dos grupos que apoiam esta iniciativa, é impressionante: Anti-Flag, Bad Religion, Blink, Circle Jerks, Dag Nasty, Descendents, The Donnas, Foo Fighters, Green Day, Mike Watt, Mudhoney, Pennywise, Tilt, Tool, e muitos mais...

Todos os detalhes do movimento estão no site Punkvoter.com. Os donos de dois dos mais importantes selos punks dos Estados Unidos, Brett Gurewitz, da Epitaph Records, e Jello Biafra (Eric Boucher) da Alternative Tentacles, também são os responsáveis pelas turnês do Rock Against Bush e do movimento Punk Voter. Na música “Escola de Assassinos”, do Anti-Flag, eles cantam “Eles estão vendendo Guerra como sendo Paz e cobrando pesados impostos para a sua Máquina de Guerra! Vamos reconquistar nossos direitos! Estejamos prontos para a Liberdade! Chegou o tempo de mostrarmos ao mundo um caminho melhor!”. A relação completa das bandas e os títulos das músicas deste primeiro CD do movimento Rock Against Bush nos dá uma idéia clara do seu conteúdo. Vejamos:

1. Nothing To Do When You're Locked Away In A Vacancy - None More Black; 2. Moron - Sum 41; 3. Warbrain (Guerra Mental)- Alkaline Trio; 4. Need More Time (É Preciso Mais Tempo) – Epoxies; 5. The School Of Assassins (A Escola de Assassinos)- Anti-Flag; 6. Sink, Florida, Sink (Electric) - Against Me!; 7. Baghdad - The Offspring; 8. Lion and the Lamb (O Leão e o Cordeiro) - The Get Up Kids; 9. Give It All - Rise Against; 10. No W – Ministry; 11. Sad State of Affairs –Descendents; 12. Revolution - Authority Zero; 13. Paranoia! Cha-Cha-Cha - The Soviettes; 14. That's Progress - Jello Biafra with D.O.A.; 15. Overcome (The Recapitulation) - RX Bandits; 16. No Voice of Mine - Strung Out; 17. To the World - Strike Anywhere; 18. Heaven is Falling (O Céu está Desabando!) - The Ataris; 19. God Save The USA (“Deus Salve os Estados Unidos”, uma clara alusão a “God Save the Queen”, do Sex Pistols)- Pennywise; 20. Normal Days – Denali; 21. The Expatriate Act - The World/Inferno Friendship Society; 22. No News is Good News (Não Ter Novidades é Uma Boa Nova)- New Found Glory; 23. Basket of Snakes (Cesta de Cobras) - The Frisk; 24. Jaw, Knee, Music (Mandíbula, Joelho, Música) - NOFX 25; 25. It's the Law (É a Lei) - Social Distortion; 26. The Brightest Bulb Has Burned Out (A Lâmpada da Inteligência se Queimou!) - Less Than Jake with Billy Bragg.

A plataforma de idéias do Punk Voter discute a Invasão do Iraque e a chamada Guerra ao Terrorismo, além da relação com o meio ambiente e a responsabilidade econômica. No tema liberdade pessoal, ela se concentra na defesa da liberdade sexual e se opõe radicalmente à abolição da camisinha, drogas para controle da natalidade, e defende ainda a liberdade de opção com relação ao aborto. Parodiando um lema famoso durante os protestos anti-guerra de 2002/03, que dizia “Health care, not warfare” (“cuidar da saúde, não alimentar a guerra”), eles dizem que todo esse dinheiro gasto para invadir o Iraque poderia ter sido gasto com a saúde do povo americano.

A intenção é mobilizar meio milhão de jovens eleitores americanos, em manifestações públicas e atos alternativos contra a “inacreditavelmente péssima política do atual Governo Bush”. E naturalmente contra a continuidade da Guerra do Iraque, onde milhares de jovens americanos estão morrendo ou sendo mutilados. Falar como uma só voz! Este é o lema que norteia o movimento. No entanto, existe ainda o dilema de “em quem votar?”. Para isto é preciso observar bem o comportamento de John Kerry, que até então tem se mostrado o “menos nocivo” dos candidatos... Mas existe ainda a opção do Partido Verde ou outro candidato libertário que possa aparecer...

Há cerca de cinco anos, em 1999, um manifesto lançado pelos organizadores deste movimento e chamado de The Decline (O Declínio), já falava claramente da perigosa derrocada cultural que vem acontecendo nos Estados Unidos há algumas décadas. Este manifesto denunciava também os grupos religiosos americanos que estavam (e estão) se armando cada vez mais, num processo paranóico e temperado com fanatismo. Ora, isto pode ter conseqüências imprevisíveis (...pois sabe-se o quanto religiosos enraivecidos podem se tornar perigosos, haja vista a “professora” Santa Inquisição, que continua existindo e atuando até os dias de hoje... E sabe-se que os verdadeiros donos dos Estados Unidos estão em Wall Street, e pertencem à comunidade judaica... Há poucas semanas eles estavam enfurecidos com Mel Gibson e o seu filme Paixão de Cristo, simplesmente porque poderia haver a interpretação de que “quem matou Jesus foram os judeus...”. O que, conforme a lenda, é verdade...).

Existem pelo menos dois aspectos muito interessantes, e que saltam à vista nesta história. Primeiro é ver os punks envolvidos com política, porque normalmente os punks são anarquistas e, por concepção, não deveriam estar se preocupando com o Estado e a política, e muito menos com a religião ou as forças armadas (que são os dois braços do Estado). Em segundo lugar, é muito curiosa a semelhança com os anos 60, quando o movimento hippie – também da juventude americana cantando rock - se rebelou contra a Guerra do Vietnã. Ora, assim sendo, nós podemos estar assistindo agora à Segunda Onda da Contracultura no mundo, que em breve deverá mostrar seus efeitos também aqui, no Brasil. O Movimento Punk está assumindo a voz do rock diante do mundo, revendo seus conceitos originais e reacendendo a velha chama de contestação, protesto e crítica - pacífica, artística e inteligente – contra todos os antigos valores dos Senhores da Guerra, algozes da depredação do planeta e da pilhagem e escravização dos povos mais fracos ou menos preparados para se defenderem. Pensando no Brasil, nós nos lembramos que, em resposta ao movimento hippie, nos anos 60, nós tivemos aqui a Jovem Guarda, a Tropicália, a Sociedade Alternativa e outros movimentos. Mas... e agora, o que será de nós? Skank? Tribalistas? Engenheiros do Hawaii? Titãs acústico? Jota Quest? Nenhum de Nós???...

Fim

O PUNK ROCK CONTRA GEORGE BUSH

Toninho Buda, maio 2004


No final dos anos 70, a banda punk The Clash detonou sua famosa turnê de cunho político chamada Rock Against Racism. Agora, 25 anos depois, nos Estados Unidos, um camarada chamado Fat Mike Burken está coordenando um movimento conclamando também os fãs do punk rock a lutarem para impedir a reeleição, no dia 2 de novembro de 2004, do atual Presidente George W. Bush. Em abril, Burken lançou o CD Rock Against Bush (Rock Contra Bush), cujos rendimentos serão utilizados neste projeto, que é chamado de Punk Voter. O movimento espera ter o sucesso do Rock for Choice (Rock por Escolha), de 1993, promovido pela MTV e o Partido Democrata, como apoio à campanha de Bill Clinton. O CD consta de 26 canções, a maioria inédita e composta exclusivamente para este trabalho, pelas maiores bandas punks da atualidade. Uma relação em ordem alfabética, de alguns dos grupos que apoiam esta iniciativa, é impressionante: Anti-Flag, Bad Religion, Blink, Circle Jerks, Dag Nasty, Descendents, The Donnas, Foo Fighters, Green Day, Mike Watt, Mudhoney, Pennywise, Tilt, Tool, e muitos mais...

Todos os detalhes do movimento estão no site Punkvoter.com. Os donos de dois dos mais importantes selos punks dos Estados Unidos, Brett Gurewitz, da Epitaph Records, e Jello Biafra (Eric Boucher) da Alternative Tentacles, também são os responsáveis pelas turnês do Rock Against Bush e do movimento Punk Voter. Na música “Escola de Assassinos”, do Anti-Flag, eles cantam “Eles estão vendendo Guerra como sendo Paz e cobrando pesados impostos para a sua Máquina de Guerra! Vamos reconquistar nossos direitos! Estejamos prontos para a Liberdade! Chegou o tempo de mostrarmos ao mundo um caminho melhor!”. A relação completa das bandas e os títulos das músicas deste primeiro CD do movimento Rock Against Bush nos dá uma idéia clara do seu conteúdo. Vejamos:

1. Nothing To Do When You're Locked Away In A Vacancy - None More Black; 2. Moron - Sum 41; 3. Warbrain (Guerra Mental)- Alkaline Trio; 4. Need More Time (É Preciso Mais Tempo) – Epoxies; 5. The School Of Assassins (A Escola de Assassinos)- Anti-Flag; 6. Sink, Florida, Sink (Electric) - Against Me!; 7. Baghdad - The Offspring; 8. Lion and the Lamb (O Leão e o Cordeiro) - The Get Up Kids; 9. Give It All - Rise Against; 10. No W – Ministry; 11. Sad State of Affairs –Descendents; 12. Revolution - Authority Zero; 13. Paranoia! Cha-Cha-Cha - The Soviettes; 14. That's Progress - Jello Biafra with D.O.A.; 15. Overcome (The Recapitulation) - RX Bandits; 16. No Voice of Mine - Strung Out; 17. To the World - Strike Anywhere; 18. Heaven is Falling (O Céu está Desabando!) - The Ataris; 19. God Save The USA (“Deus Salve os Estados Unidos”, uma clara alusão a “God Save the Queen”, do Sex Pistols)- Pennywise; 20. Normal Days – Denali; 21. The Expatriate Act - The World/Inferno Friendship Society; 22. No News is Good News (Não Ter Novidades é Uma Boa Nova)- New Found Glory; 23. Basket of Snakes (Cesta de Cobras) - The Frisk; 24. Jaw, Knee, Music (Mandíbula, Joelho, Música) - NOFX 25; 25. It's the Law (É a Lei) - Social Distortion; 26. The Brightest Bulb Has Burned Out (A Lâmpada da Inteligência se Queimou!) - Less Than Jake with Billy Bragg.

A plataforma de idéias do Punk Voter discute a Invasão do Iraque e a chamada Guerra ao Terrorismo, além da relação com o meio ambiente e a responsabilidade econômica. No tema liberdade pessoal, ela se concentra na defesa da liberdade sexual e se opõe radicalmente à abolição da camisinha, drogas para controle da natalidade, e defende ainda a liberdade de opção com relação ao aborto. Parodiando um lema famoso durante os protestos anti-guerra de 2002/03, que dizia “Health care, not warfare” (“cuidar da saúde, não alimentar a guerra”), eles dizem que todo esse dinheiro gasto para invadir o Iraque poderia ter sido gasto com a saúde do povo americano.

A intenção é mobilizar meio milhão de jovens eleitores americanos, em manifestações públicas e atos alternativos contra a “inacreditavelmente péssima política do atual Governo Bush”. E naturalmente contra a continuidade da Guerra do Iraque, onde milhares de jovens americanos estão morrendo ou sendo mutilados. Falar como uma só voz! Este é o lema que norteia o movimento. No entanto, existe ainda o dilema de “em quem votar?”. Para isto é preciso observar bem o comportamento de John Kerry, que até então tem se mostrado o “menos nocivo” dos candidatos... Mas existe ainda a opção do Partido Verde ou outro candidato libertário que possa aparecer...

Há cerca de cinco anos, em 1999, um manifesto lançado pelos organizadores deste movimento e chamado de The Decline (O Declínio), já falava claramente da perigosa derrocada cultural que vem acontecendo nos Estados Unidos há algumas décadas. Este manifesto denunciava também os grupos religiosos americanos que estavam (e estão) se armando cada vez mais, num processo paranóico e temperado com fanatismo. Ora, isto pode ter conseqüências imprevisíveis (...pois sabe-se o quanto religiosos enraivecidos podem se tornar perigosos, haja vista a “professora” Santa Inquisição, que continua existindo e atuando até os dias de hoje... E sabe-se que os verdadeiros donos dos Estados Unidos estão em Wall Street, e pertencem à comunidade judaica... Há poucas semanas eles estavam enfurecidos com Mel Gibson e o seu filme Paixão de Cristo, simplesmente porque poderia haver a interpretação de que “quem matou Jesus foram os judeus...”. O que, conforme a lenda, é verdade...).

Existem pelo menos dois aspectos muito interessantes, e que saltam à vista nesta história. Primeiro é ver os punks envolvidos com política, porque normalmente os punks são anarquistas e, por concepção, não deveriam estar se preocupando com o Estado e a política, e muito menos com a religião ou as forças armadas (que são os dois braços do Estado). Em segundo lugar, é muito curiosa a semelhança com os anos 60, quando o movimento hippie – também da juventude americana cantando rock - se rebelou contra a Guerra do Vietnã. Ora, assim sendo, nós podemos estar assistindo agora à Segunda Onda da Contracultura no mundo, que em breve deverá mostrar seus efeitos também aqui, no Brasil. O Movimento Punk está assumindo a voz do rock diante do mundo, revendo seus conceitos originais e reacendendo a velha chama de contestação, protesto e crítica - pacífica, artística e inteligente – contra todos os antigos valores dos Senhores da Guerra, algozes da depredação do planeta e da pilhagem e escravização dos povos mais fracos ou menos preparados para se defenderem. Pensando no Brasil, nós nos lembramos que, em resposta ao movimento hippie, nos anos 60, nós tivemos aqui a Jovem Guarda, a Tropicália, a Sociedade Alternativa e outros movimentos. Mas... e agora, o que será de nós? Skank? Tribalistas? Engenheiros do Hawaii? Titãs acústico? Jota Quest? Nenhum de Nós???...


 

® Todos os direitos estão resevados para Antônio Walter Sena Júnior