Toninho Buda, novembro 2003
É interessante observar que, hoje, nós temos
certa dificuldde de encontrar no mercado fonográfio
os discos oficiais de Raul Seixas. Encontramos normalmente
coletâneas com os seus maiores sucessos ou trabalhos
de repescagem, que mesclam grandes sucessos com músicas
poucos conhecidas. Eu confesso que sinto a falta de alguma
coisa que nunca vi ser editada sobre ele, e que seria um CD
com suas principais músicas românticas e líricas.
Pois, além de A Maçã, nós podemos
encontrar em seu trabalho canções românticas
como Ave Maria da Rua, Cantiga de Ninar, A Hora do Trem Passar,
Água Viva, How Could I Know?, Love is Magick, Mata
Virgem, O Conto do Sábio Chinês, Ângela
e Sunseed.
Mas enquanto esperamos para ver, vamos falar
um pouco da sua discografia oficial, que é o assunto
desta coluna. Raul Seixas lançou 22 discos durante
sua vida (sendo que dois deles foram lançados por esforço
pessoal de Sylvio Passos, do Raul Rock Club, seu amigo e companheiro.
Foi ao Sylvio também que Raul acabou confiando uma
boa parte do seu famoso Baú do Raul, de onde foram
e continuam sendo retiradas e editadas algumas perólas
ao longo desses 14 anos após sua morte, como o recente
Anarkilópolis). De 1968 a 1989 (quando faleceu), ou
seja, 21 anos, Raul Seixas passou por 9 gravadoras lançando
seus discos, com um total de 160 músicas. É
curioso que ele tenha lançado 22 discos e tido 22 parceiros
musicais, sendo que 22 é o número de trunfos
maiores do Tarô.
ÁLBUNS PÓSTUMOS
Após sua morte, Raul Seixas foi homenageado, até
hoje, com 6 álbuns póstumos e 2 caixas especiais,
mostrados nos quadros que ilustram esta matéria. É
interessante acrescentar que estes álbuns têm
sido lançados principalmente por Kika Seixas (que reside
no Rio de Janeiro e é mãe de uma de suas filhas,
Vivian), normalmente assessorada por Sylvio Passos. As outras
duas filhas do cantor moram nos Estados Unidos e se chamam
Simone (filha da americana Edith) e Scarlet (filha da também
americana Glória, que é irmã do guitarrista
Gay Vaquer, que foi um dos parceiros musicais de Raul). Como
Raul Seixas não deixou testamento e nada lá
muito organizado (...), estas divisões e distâncias
entre todas essas pessoas tornam o seu espólio um problema
difícil de administrar. Tanto é que, por vezes,
alguns projetos interessantes relacionados com sua obra se
vêem frustrados, devido à dificuldade de fazer
com que todas essas partes se entendam (isto sem contar, evidentemente,
os 21 parceiros que ele teve, que também são
co-proprietários das parcelas que lhes correspondem,
e às vezes resolvem complicar ainda mais as coisas...).
OUTROS TRABALHOS, PARCERIAS E PARTICIPAÇÕES
Na fase em que foi produtor da CBS, Raul compôs cerca
de 80 canções para outros cantores, além
de produzir discos de muitos artistas e até cantar
em um deles, Trifocal, com Tony & Frankie. Em 1973, já
na Philips, produziu e participou do primeiro LP de Sérgio
Sampaio, Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua. Ele teve
também várias músicas incluídas
em trilhas de novelas de televisão, mas em 1974, ele
e Paulo Coelho fizeram toda a trilha sonora nacional da novela
O Rebu, da TV Globo. Em 1979, ele participou do LP O Banquete
dos Mendigos, da RCA, com a música Cachorro Urubu.
Em 1987 participou do álbum duplo, chamado Duplo Sentido,
do grupo Camisa de Vênus, com a música Muita
Estrela, Pouca Constelação. Fazem parte ainda
de sua discografia oficial 28 compactos lançados entre
1968 e 1983, e também 4 mixers lançados entre
1987 e 1989. Vejamos o quadro de sua discografia:
RAUL SEIXAS – DISCOGRAFIA OFICIAL
Nr Ano DISCO GRAVADORA
1 1968 Raulzito e os Panteras Odeon
2 1971 Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta
Sessão das Dez CBS, atual Sony
3 1973 Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (reed. 2 vezes)
Vide obs.1 Polyfar
4 1973 Krig-há, Bandolo! Philips
5 1974 Gita Philips
6 1974 O Rebú (Trilha Sonora da Novela da Globo) Som
Livre
7 1975 20 Anos de Rock Philips
8 1975 Novo Aeon Philips
9 1976 Há Dez Mil Anos Atrás Philips
10 1977 Raul Rock Seixas Fontana
11 1977 O Dia em que a Terra Parou WEA
12 1978 Mata Virgem WEA
13 1979 Por Quem os Sinos Dobram WEA
14 1980 Abre-te Sésamo CBS, atual Sony
15 1983 Raul Seixas Eldorado
16 1984 Raul Seixas ao Vivo – Único e Exclusivo
Eldorado
17 1984 Metrô Linha 743 Som Livre
18 1985 Let Me Sing My Rock and Roll - vide obs. 2 Raul Rock
Club
19 1986 Raul Rock Seixas – Volume 2 (pelo Raul Rock
Club) vide obs.3 Fontana
20 1987 Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! Copacabana
21 1988 A Pedra do Gênese Copacabana
22 1989 A Panela do Diabo WEA
ÁLBUNS PÓSTUMOS E CAIXAS ESPECIAIS
1 1991 Eu, Raul Seixas (ao vivo, show Praia Gonzaga, Santos,
SP, 1982) Philips
2 1992 O Baú do Raul Philips
3 1993 Raul Vivo (ao vivo, shows em SP, 1983) Eldorado
4 1994 Se o Rádio Não Toca (ao vivo, show em
Brasília, 1974) Eldorado
5 1995 Raul Seixas – Série Grandes Nomes (CAIXA
com 4 CDs e livreto) Polygram
6 1998 Raul Seixas – Documento (com suas músicas
em inglês, inéditas) MZA
7 2002 Maluco Beleza (CAIXA com 6 CDs e livro ilustrado) Universal
Music
8 2003 Anarkilópolis (com música inédita)
Som Livre
Observações relativas aos quadros
acima:
1. Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock
, lançado inicialmente em 1973, não trazia o
nome de Raul Seixas na capa. A intenção da gravadora
era vender o disco como sendo de um suposto grupo de rock
americano chamado Rock Generation. No entanto, nele, as músicas
Estúpido Cupido e Banho de Lua não são
interpretadas por Raul Seixas, e sim por um cantor até
hoje desconhecido. Este disco foi reeditado em 1975, como
20 Anos de Rock. Seria ainda reeditado em 1985, como 30 Anos
de Rock.
2. Let Me Sing My Rock’n’Roll
- Esta antologia existe somente em vinil. Foram feitas somente
mil cópias, numeradas. Ela está incluída
como disco oficial pelo fato de trazer músicas e depoimentos
não incluídos nos LPs oficiais. Eu tenho a honra
de possuir a cópia nr. 666 do referido trabalho. Segundo
o mercado de discos de vinil, este disco é a segunda
raridade mais cara do mercado (o disco de vinil mais caro
seria o primeiro disco de Roberto Carlos. Atenção,
colecionadores!).
3. Raul Rock Seixas – Vol. 2 - Esta
antologia também está incluída como disco
oficial pelo fato de trazer gravações que não
foram incluídas nos LPs oficiais. A Seleção
musical deste LP e a concepção da capa são
de Sylvio Passos.
4. Nas 160 músicas que compôs
e cantou, Raul Seixas teve 21 parceiros musicais. Cláudio
Roberto e Paulo Coelho foram os mais expressivos. E o próprio
Raul tem 41 músicas que assina sozinho. Recentemente
ficou-se sabendo que Sylvio Passos, do Raul Rock Club, assinou
com Raul Seixas a recém lançada música
título do CD Anarkilópolis, passando com isso
a ser seu 22o parceiro. É interessante frisar estes
detalhes, porque o escritor Paulo Coelho gosta de sugerir
que ele era o único letrista da obra de Raul Seixas,
enquanto o próprio Raul era meramente o intérprete
de suas letras (é bom lembrar, por sinal, que Raul
formou sua primeira banda de rock em 1963. E só veio
a conhecer Paulo Coelho – um de seus 22 parceiros -,
em 1973, ou seja, 10 anos depois).
5. Todos os trabalhos acima foram lançados
no mercado em LP (vinil), fita K7 e CD, com as seguntes 5
exceções: 1. O Rebu (somente em LP e k7). 2.
Let Me Sing My Rock’n’Roll (somente em LP), 3.
Raul Seixas Documento (somente em CD), 4. Raul Seixas –
Séries Grandes Nomes (CAIXA, somente em CD), 5. Maluco
Beleza (CAIXA, somente em CD).
6. Para maiores detalhes sobre a discografia,
vida e obra de Raul Seixas, consulte o livro “Raul Seixas,
Uma Antologia”, de Sylvio Passos e Toninho Buda, Ed.
Martin Claret, 1992 (revisada e atualizada em 1998). Ou contacte
diretamente o RAUL ROCK CLUB, no site www.raulrockclub.com.br
, email sylviopassos@raulrockclub.com.br, endereço
: Cx Postal 12.106 Ag. Santana CEP 02.013.970 São Paulo
– SP, e telefone 011 – 3032.2113 e celular 011
– 9541.7662, falando com Sylvio Passos.
HOMENAGENS MIL
É impressionante a quantidade de cantores, duplas sertanejas
e grupos musicais que regravaram e continuam regravando a
obra de Raul Seixas, como por exemplo: Caetano Veloso, RPM,
Barão Vermelho, Erasmo Carlos, Adriana Calcanhoto,
Vange Leonel, Alceu Valença, Nenhum de Nós,
Comando Negri, Cidade Negra, Ultraje a Rigor, Ney Matogrosso,
Jorge “Gordo” Guimarães, Titãs,
etc. Em 1994, o grupo Barão Vermelho ganhou de Kika
Seixas a música inédita de Raul chamada Pergunte
ao Tio José. Em 1995, Leno lança o CD Vida e
Obra de Johnny McCartney, inédito, em que Raul tem
parceria em várias músicas e é também
o produtor. Em 1996, Celso Blues Boy também lança
em seu CD a música inédita de Raul Seixas chamada
Liberdade. Em 1999, o grupo O Terço lançou o
CD Tributo a Raul Seixas, em que o vocalista Sérgio
Hinds é um personagem mais que especial, pois dividiu
o palco com Raul Seixas em alguns shows e festivais nos anos
70.
OS PERIGOS DE LIDAR COM RAUL SEIXAS
Em 1992, Paulo Coelho foi a vários programas de televisão
nacionais para alertar os jovens acerca dos perigos de lidar
com a obra de Raul Seixas (na época, influenciado por
sua recente conversão ao catolicismo, o famoso mago
estava vendo o diabo por toda parte). Pois bem, em 2001, exatamente
na abertura do Novo Milênio, ao lançar o CD Zé
Ramalho canta Raul Seixas, o cantor Zé Ramalho também
teve que enfrentar a fúria santa de Paulo Coelho, que
acionou seus advogados e impediu que as músicas de
parceria dele (Paulo) com Raul Seixas fossem colocadas no
CD do paraibano! Isto prejudicou bastante o trabalho do Zé
Ramalho, que acabou optando por fazer um disco com músicas
assinadas somente por Raul Seixas, para evitar problemas com
outros ex-parceiros alterados. E isto, curiosamente, acabou
resultando num belíssimo trabalho, certamente muito
melhor do que o da proposta inicial. Por outro lado, em junho
de 1997, o jornalista Marcelo Fróes, após uma
longa pesquisa nos acervos da CBS (atual Sony Music), conseguiu
descobrir 51 músicas compostas por Raulzito e outros
parceiros, do período em que ele era produtor da gravadora.
Essas 51 músicas foram reunidas em uma coleção
com 3 volumes, intitulada Raul Seixas, Let me sing / Deixa
eu cantar. Chegaram a ser prensados três mil CDs de
cada volume. Mas tão logo foram colocados no mercado,
a gravadora teve de recolher o material, devido a problemas
com o espólio do cantor. E é curioso que Raul
tenha começado sua carreira de sucesso 25 anos antes,
em 1972, cantando exatamente Let Me Sing, Let Me Sing, Let
Me Sing my Rock’n’Roll. Que, numa tradução
libertária, significa mais ou menos o seguinte: “Ô
do sistema, por favor, deix’eu cantar meu rockinho sossegado!...”
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