Toninho Buda, outubro 2004
Nascido em 21 de julho de 1947 (signo de
Cancer), em Londres, como Steven Demetri Georgiou, ele escolheu
o nome artístico de Cat Stevens. Finalmente passou
a se chamar Yusuf Islam. Em 35 anos (1966 a 2001) agitando
o mercado fonográfico mundial, o roqueiro inglês
Cat Stevens lançou mais de 60 títulos (vide
lista anexa), dentre os quais 32 álbuns, dos quais
vendeu mais de 40 milhões de cópias mundo afora,
e com os quais ganhou 8 Discos de Ouro. Nos anos setenta,
costumava vir ao Brasil. Era amigo dos baianos Gil e Caetano,
e consta até que visitou Gilberto Gil na cadeia...
Ele também afirmava ter visto discos voadores. E em
1977, assim como fizeram Mohamed Ali (ex Cassius Clay) e também
meu amigo José Roberto Abrahão (aqui de São
Paulo), ele se converteu ao Islamismo. E agora há pouco,
nosso Yusuf Islam, casado, pai de 4 filhos, motivo de orgulho
para a sua Inglaterra natal, foi tratado como terrorista e
impedido de entrar nos Estados Unidos ([é curioso lembrar
que em 2001 ele havia doado todos os lucros do seu album “Cat
Stevens Box Set” para o fundo de caridade das vítimas
do atentado de 11 de setembro). O fato aconteceu num vôo
da United Airlines, proveniente de Londres. O seu nome estava
numa lista negra da CIA, de terroristas internacionais. Curiosamente,
ele havia visitado New York em maio passado, para participar
de um dos muitos eventos de caridade que vem apoiando há
muitos anos.
No ano passado, no entanto, ele gravou duas
canções, incluindo a regravação
de seu hit de 1971, Peace Train, para expressar sua oposição
à Guerra no Iraque. Este é um dos fatos que
podem ter irritado a CIA. Mas ele também havia abandonado
sua carreira musical no final dos anos 70, após ser
convencido pelos professores ortodoxos muçulmanos,
de que seu estilo de vida era proibido pela lei islâmica.
Com o tempo, veio a se tornar um advogado de sua nova religião,
fundando uma escola muçulmana em Londres, em 1983.
Em 1988, a sua escola se tornou a primeira escola muçulmana
britânica a receber subvenção governamental,
da mesma forma que as escolas cristãs ou de outras
formações. Esta proximidade com o Islamismo
também pode ter irritado muito a CIA.Um conhecido site
libertário na internet declarou: “é muito
triste ver um homem conhecido como um pop star amante da paz,
ser equiparado a pessoas como Osama Bin Laden, somente por
causa de sua fé religiosa.
Por outro lado, é bem verdade que
o próprio Cat Stevens provocou um escândalo em
1989, que pode ter irritado não só o povo americano,
mas assustando muitos outros povos ao redor do mundo. Ao ser
entrevistado sobre a sentença de morte que o Ayatollah
Khomeini havia decretado contra Salmon Rushdie, autor do livro
“Versos Satânicos”, ele concordou com a
sentença. Recentemente, no entanto, criticou duramente
os atos terroristas, incluindo os de 11 de setembro, em New
York, e o da escola de Beslan, na Rússia, onde morreram
mais de 300 pessoas, na maioria crianças. Entre outras
coisas, ele declarou: “O Alcorão considera o
assassinato de uma única criança inocente ao
assassinato de toda a humanidade”. Seus posicionamentos
atuais tem provocado reações diversas nos EUA.
Se por um lado a CIA o impede de entrar no país, alguns
programas de TV, como o de David Laterman, têm ridicularizado
suas músicas e declarações. Outras personalidades
e roqueiros o apoiam.
Procurando escapar das visões tendenciosas,
nós sabemos que lidar com religiões sempre foi
uma coisa complicada. Tanto a Bíblia quanto o Mahabarata
ou o Alcorão são livros considerados sagrados.
São cheios de lendas, belas histórias, mas também
de exemplos horríveis, que podem servir a todo tipo
de interpretação. Assim, o perigo não
reside propriamente no livro em si, mas naquela coisa que
está entre o livro e a cadeira, principalmente quando
é um piradaço com uma arma na mão. E
confesso que eu mesmo sou muito pouco informado sobre o Alcorão.
Mas nós, que gostamos de música e de rock, havemos
de ficar um tanto constrangidos ao saber por exemplo que,
para os muçulmanos, a música é proibida!
Nós sabemos que algumas seitas protestantes em nosso
país agem de forma semelhante. Mas felizmente nós
não colocamos mais no paredão de fuzilamento
ou nas fogueiras da Inquisição as pessoas que
“desobedecem” a Bíblia. Curiosamente, Cat
Stevens passou a ser aceito como músico entre os muçulmanos!
E a gente pode observar nessa jogada um “jeitinho brasileiro”
na forma com que eles receberam o novo (e famoso) adepto.
Vejamos um trecho da entrevista que ele concedeu a Mary-Siani
Davies. Diz ela “... para dizer a verdade, embora eu
estivesse excitada pela idéia de entrevistá-lo,
eu estava também preocupada com o que eu tinha ouvido
falar sobre ele. Que tipo de homem eu poderia encontrar? Algum
tempo atrás, ele havia declarado que considerava suas
velhas canções como impróprias e imorais.
E que ele havia encontrado no Islam as respostas para as questões
metafísicas como o que é o homem, de onde nós
viemos, e para onde estamos indo... Como é que eu poderia
me entender com um fanático muçulmano?
Mas sua aparência calma, seu sorriso
e suas boas maneiras me encorajaram. Apesar dos seus 56 anos,
ele não aparentava mais de 35”. Assim que perguntou
se ele rejeitava suas próprias músicas, ele
disse: -“Por algum tempo, eu rejeitei praticamente tudo.
Mas hoje eu tenho uma percepção mais balanceada”.
– “Mas e o islamismo, näo proíbe a
música profana a seus adeptos?”. –“Bem,
existem muitas pessoas que dizem que o islamismo é
contra a música. Eu estudei as fontes dessas informações.
E encontrei nas escrituras uma passagem que conta que algumas
pessoas tocavam músicas diversas na presença
de Maomé. E alguém disse: ‘Parem com essa
música em frente ao Profeta!’. Mas o Profeta
interviu calmamente e disse: ‘Deixe-os! Eles estão
festejando!’. E isto significa que, dentro de circunstâncias
próprias, é permitido ao povo tocar e ouvir
música”.
Com esse “jeitinho” de interpretar
o Alcorão, mesmo tendo ficado afastado da música
desde 1978, ele finalmente fez um trabalho musical com inspiração
religiosa que resultou no álbum “The Life of
the Last Prophet”, de 1995. Também desenvolveu
um trabalho escrito em forma de livro, acompanhado de canções,
chamado “A Is For Allah”, que é um verdadeiro
tratado de introdução ao islamismo, tanto para
adultos quanto para crianças. Aprendendo estas novas
idéias, é possível entender melhor porque
ele se converteu e abandonou uma vida de pop star na cultura
do ocidente. Este livro foi belamente ilustrado por Abd al-Lateef
Whiteman. Músicas como “Mother, Father, Sister,
Brother” “Our Guide is the Qur’an”
e “A Is For Allah” também fazem parte do
conjunto.
Quando perguntado sobre os motivos que o
levaram à espiritualidade, ele gosta de contar duas
histórias. A primeira se refere ao ano de 1969, quando
contraiu tuberculose e passou um ano dentro de um hospital.
Aí começou a se perguntar sobre o verdadeiro
significado da vida. Posteriormente, veio a se defrontar com
a morte em Malibu, na Califórnia. Enquanto estava nadando
na praia, foi colhido por uma onda gigante que o arrastou
para alto mar, em pleno Oceano Pacífico. Não
havia como voltar e ele estava ficando completamente esgotado.
Então pediu a Deus que o salvasse e prometeu que, se
fosse salvo, passaria a “divulgar a palavra do Senhor”.
De repente, outra onda enorme o levou de volta à praia.
Ele diz que algumas pessoas sempre consideram este fato uma
simples coincidência. Mas ele a considera um verdadeiro
milagre (ainda bem que ele não veio com aquela velha
história de ser engolido por uma baleia...). De qualquer
forma, ele conta que desde então “embarcou numa
onda” de descobertas que o levaram a abraçar
o Islamismo em dezembro de 1977. Que Allah esteja com ele!
E conosco também!!!
DISCOGRAFIA BÁSICA CAT STEVENS
Nr. DATA TIPO NOME
01. 30/09/1966 – Single – I Love My Dog
02. 12/01/1967 – Single – Matthew and Son
03. 10/03/1967 – Album 1 – MATTHEW AND SON
04. 24/03/1967 – Single – I’m Gonna Get
me A Gun
05. 28/07/1967 – Single – A Bad Night
06. 01/12/1967 – Single – Kitty
07. 15/12/1967 – Album 2 – NEW MASTERS
08. 23/02/1968 – Single – Lovely City (When Do
You Laugh?)
09. 18/10/1968 – Single – Here Comes My Wife
10. 13/06/1969 – Single – Where Are You
11. 00/06/1969 – Single – Lady D’Arbanville
12. 10/06/1969 – Album 3 - MONA BONE JAKON
13. 23/11/1970 – Album 4 – TEA FOR THE TILLERMAN
14. 00/00/1970 – Álbum 5 – THE WORLD OF
CAT STEVENS
15. 00/02/1971 – Single – Wild World
16. 00/06/1971 – Single – Moon Shadow
17. 00/09/1971 – Single – Tuesday’s Dead
18. 00/09/1971 – Single – Peace Train uma de suas
músicas mais populares
19. 01/10/1971 – Album 6 – TEASER AND THE FIRECAT
20. 00/12/1971 – Single – Morning Has Broken
21. 00/01/1972 – Album 7 – VERY YOUNG AND EARLY
SONGS
22. 27/09/1972 – Album 8 – CATCH BULL AT FOUR
23. 00/11/1972 – Single – Can’t Keep It
In
24. 00/11/1972 – Single – Sitting
25. 00/06/1973 – Single – The Hurt
26. 00/07/1973 – Album 9 – FOREIGNER
27. 00/03/1974 – Single – Oh Very Young
28. 21/03/1974 – Album 10 – BUDDHA AND THE CHOCOLATE
BOX
29. 12/07/1974 – Single – Another Saturday Night
30. 00/09/1974 – Album 11 – SATURDAY NIGHT
31. 00/11/1974 – Single – Ready
32. 00/05/1975 – Album 12 – VIEW FROM THE TOP
33. 20/06/1975 – Album 13 – GREATEST HITS
34. 00/07/1975 – Single – Two Fine People
35. 00/11/1975 – Album 14 – NUMBERS
36. 00/01/1976 – Single – Banapple Gas
37. 00/03/1976 – Single – Land O’Freelove
and Goodbye
38. 00/04/1977 – Album 15 – IZITSO (em 1977 se
converte ao Islamismo)
39. 00/06/1977 – Single – (Remember the Days of
the) Old Schoolyard
40. 00/11/1977 – Single – Was Dog A Doughnut
41. 00/12/1978 – Album 16 – BACK TO EARTH (último
trabalho lançado)
42. 00/00/1978 – Album 17 – CAT’S CRADLE
43. 00/01/1979 – Single – Bad Brakes
44. 00/02/1979 – Single – Last Love Song
45. 00/02/1979 – Single – Randy
46. 00/08/1981 – Album 18 - THE FIRST CUT IS THE DEEPEST
47. 00/11/1984 – Album 19 - FOOTSTEPS IN THE DARK –
GREATEST HITS VOL. 2
48. 00/04/1986 – Album 20 – THE COLLECTION
49. 00/04/1986 – Album 21 – CAT STEVENS
50. 00/00/1987 – Album 22 – CLASSICS VOL. 24
51. 00/11/1989 – Album 23 – FIRST CUTS
52. 00/02/1990 – Album 24 – THE VERY BEST OF CAT
STEVENS (Island)
53. 00/00/1991 – Album 25 – FAN BOX SET
54. 00/04/1993 – Album 26 – WILD WORLD
55. 00/08/1993 – Album 27 – THE VERY BEST OF CAT
STEVENS (Polygram)
56. 00/09/1993 – Album 28 – EARLY TAPES
57. 00/11/1995 – Album 29 – THE LIFE OF THE LAST
PROPHET
58. 00/11/1999 – Album 30 – REMEMBER: THE ULTIMATE
COLLECTION
59. 28/03/2000 – Album 31 – THE VERY BEST OF CAT
STEVENS (Polygram)
60. 30/10/2001 – Album 32 – CAT STEVENS BOX SET
Observação: onde existe “00” nas
datas, é porque a informação é
imprecisa.
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