Toninho Buda, 1o julho 2001
(Esta matéria teve sua publicação vetada
no Internacional Magazine)
As discussões sobre ética sempre estão
na ordem do dia. Coisas terríveis, como a tortura
e a mutilação sexual das mulheres continuam
sendo praticadas em várias culturas do mundo. O ódio
racial e as divergências religiosas continuam alimentando
guerras e perseguições. Cada vez é
mais difícil saber o que é certo e o que é
errado... No entanto, tem uma coisa que está me indignando
muito. Depois de muito matutar, hoje eu tenho esta certeza:
SOU CONTRA A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS.
E principalmente contra essas campanhas que querem nos fazer
crer que doar órgãos é um “ato
de amor”. Desde os tempos antigos, os canibais já
acreditavam que se comessem o coração e outros
órgãos de seus inimigos mais valentes, adquiririam
a força e a coragem daqueles guerreiros. É
claro que, se o inimigo fosse fraco e covarde, também
serviria para simplesmente matar a fome. De qualquer forma,
a carne, os órgãos e os ossos sempre foram
motivo de cobiça entre os animais em geral. E sempre
serviram à causa da sobrevivência dos mais
fortes. Mas nos dias de hoje, houve uma mudança neste
comportamento. E mais uma vez fica difícil saber
se é uma evolução ou uma involução,
ou se a coisa é certa ou errada... É o seguinte:
os órgãos e a carne dos mortos continuam servindo
para a sobrevivência FINANCEIRA das instituições
mais fortes; mas estão sendo consumidos para a sobrevivência
FISIOLÓGICA dos mais fracos. Com isso, mudou a antiga
lei das selvas: os mais fracos estão comendo os mais
fortes!
E como as instituições financeiras (que dominam
e exploram o Estado e seu povo) precisam vender seus produtos,
grande parte de seus investimentos são dirigidos
ao marketing nos meios de comunicação. Com
isso, eles martelam diariamente as idéias que irão
formar opiniões, conceitos e, em suma, estabelecer
as referências básicas da CULTURA e da ÉTICA
deste Estado e deste povo doente, enfraquecido e desmotivado.
Não existe um dia em que não se veja no Jornal
Nacional uma propaganda das “maravilhas” da
medicina. Todos os dias se fala na “evolução”
da pesquisa do câncer, enquanto o número de
mortos aumenta assustadoramente. Em relação
à exploração comercial de cadáveres,
o que temos visto é uma vergonhosa e – por
que não dizer? - criminosa indústria de transplantes
e doação de órgãos e sangue
(ainda bem estes malucos retiraram de nossas carteiras de
identidade aquele diploma de imbecil resumido na frase “DOADOR
DE ÓRGÃOS”). Como no conto “A
Nova Califórnia”, os ossos e a carne dos mortos
estão sendo literalmente transformados em ouro. Os
alquimistas buscavam a Pedra Filosofal, transformando chumbo
em ouro. A nossa medicina atual, que é herdeira dos
alquimistas, só falta meter chumbo nas pessoas para
garimpar ouro. E é impressionante como eles ficam
assanhados quando conseguem envolver o nome de pessoas mortas
famosas, como aconteceu há poucas semanas com o titã
Marcelo Fromer!
O caso do Marcelo Fromer foi uma coisa terrível,
em todos os sentidos: ele foi estupidamente atropelado no
dia 11 de junho de 2001 e, dois dias depois, no fatídico
dia 13 (!) de junho, teve morte encefálica, sendo
sepultado no dia seguinte. Como ele era jovem, forte, saudável,
bonito e famoso, os alquimistas de araque não perderam
a excelente oportunidade: criaram um fantástico teatro
de operações, onde, diante da poderosa mídia
global, esquartejaram o cadáver do rapaz e o dividiram
entre velhos e velhas à beira da morte (apenas as
córneas foram para pessoas jovens, William de 37
e Leonora Evangelista, 18. Maria Stella Fernandes, 50, recebeu
os pâncreas e um rim, mas faleceu no dia 17. O fígado
foi para uma mulher de 50 anos, cuja identidade ficou em
segredo. Maria de Souza Braga, 66 anos, recebeu o outro
rim. O coração foi parar nos peitos de Mário
Varjão de Oliveira, 52 anos, que estava – e
continua - desesperadamente agarrado a um fiapo de vida)!
Faço aqui uma observação: quando eu
os chamo de “velhos”, tendo eles entre 50 e
66 anos, quero dizer que eles estão realmente velhos,
com esta relativamente PEQUENA idade cronológica.
No início do século, eles realmente seriam
considerados velhos. Mas hoje, com tudo o que nós
conseguimos aprender, apesar da medicina, é perfeitamente
possível chegar saudável aos noventa anos
ou mais.
Aí é que está o cerne dos meus argumentos:
esta mesma indústria que desenvolve esta medicina
remendeira, é a indústria que gera a doença,
com uma alimentação altamente tóxica
que, ao longo dos anos acaba criando esta multidão
de inválidos. É bem verdade que houve um pequeno
progresso no esclarecimento da população em
relação aos riscos do cigarro, por exemplo.
Mas este dúbio progresso, infelizmente, se deu em
grande parte através de ações bilionárias,
movidas por advogados habilidosos, também para faturar
o seu quinhão na selvageria geral. Mas e o resto?
E a coca cola, com quem ninguém tem coragem de mexer?
E as gorduras, principalmente artificiais, hidrogenadas,
industrializadas, etc, e sua relação com o
fabuloso crescimento do câncer nas mulheres e todas
essas doenças do coração, pâncreas,
rins, etc??? Este é o centro da questão: estes
mesmos investidores que geram as doenças, usam até
a medicina para criar novas formas de faturar mais ainda,
montando franksteins com pedaços de cadáveres
e apresentando-os como jesuses ressuscitados! E ainda por
cima, criam campanhas motivadoras de “doações
de órgãos por amor”, quando é
sabido que um rim é vendido por eles por uma quantia
em torno de 300 MIL REAIS!
A indústria da doença e da morte provoca
as doenças, inventa a necessidade de soluções
desesperadas, anuncia a existência de “pesquisas
caríssimas” que nunca dão resultado
algum, e ainda pregam uma ÉTICA DA SERVILIDADE, onde
todos compram seus planos de saúde, doam seu dinheiro
para as tais pesquisas e ainda aplaudem a profanação
e a comercialização dos cadáveres de
seus filhos e parentes! Se os médicos buscassem a
verdadeira origem das doenças, as pessoas realmente
melhorariam de saúde e não necessitariam de
transplantes e implantes. Por isso, quando eu vejo nas revistas
a cara daquele véio frankestein que devorou o coração
do Marcelo Fromer, enxergo toda esta tragédia oculta
nos bastidores! E o meu próprio coração
se enche de ódio e revolta! Por que aquele coração
que ali está, mantendo vivo aquele zumbi e servindo
a toda esta bandalheira, é o mesmo que pulsou dentro
do peito do guerreiro de uma tribo cujo canto de guerra
foi um dos hinos da minha juventude: BICHOS ESCROTOS, SAIAM
DOS ESGOTOS, RATOS, SAIAM DOS SAPATOS, COELHINHO PELUDO,
VAI SE FUDER, POR QUE AQUI NA FACE DA TERRA SÓ BICHOS
ESCROTOS É O QUE VAMOS TER!!! CIDADÃOS CIVILIZADOS,
BEM OBEDIENTES E COMPORTADOS, VÃO PRO CARALHO!!!
Hoje tô panfletário como se tivesse voltado
aos 20!!!
O ESQUARTEJAMENTO DE MARCELO FROMER
Toninho Buda, 1o julho 2001
(Esta matéria teve sua publicação vetada
no Internacional Magazine)
As discussões sobre ética sempre estão
na ordem do dia. Coisas terríveis, como a tortura
e a mutilação sexual das mulheres continuam
sendo praticadas em várias culturas do mundo. O ódio
racial e as divergências religiosas continuam alimentando
guerras e perseguições. Cada vez é
mais difícil saber o que é certo e o que é
errado... No entanto, tem uma coisa que está me indignando
muito. Depois de muito matutar, hoje eu tenho esta certeza:
SOU CONTRA A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS.
E principalmente contra essas campanhas que querem nos fazer
crer que doar órgãos é um “ato
de amor”. Desde os tempos antigos, os canibais já
acreditavam que se comessem o coração e outros
órgãos de seus inimigos mais valentes, adquiririam
a força e a coragem daqueles guerreiros. É
claro que, se o inimigo fosse fraco e covarde, também
serviria para simplesmente matar a fome. De qualquer forma,
a carne, os órgãos e os ossos sempre foram
motivo de cobiça entre os animais em geral. E sempre
serviram à causa da sobrevivência dos mais
fortes. Mas nos dias de hoje, houve uma mudança neste
comportamento. E mais uma vez fica difícil saber
se é uma evolução ou uma involução,
ou se a coisa é certa ou errada... É o seguinte:
os órgãos e a carne dos mortos continuam servindo
para a sobrevivência FINANCEIRA das instituições
mais fortes; mas estão sendo consumidos para a sobrevivência
FISIOLÓGICA dos mais fracos. Com isso, mudou a antiga
lei das selvas: os mais fracos estão comendo os mais
fortes!
E como as instituições financeiras (que dominam
e exploram o Estado e seu povo) precisam vender seus produtos,
grande parte de seus investimentos são dirigidos
ao marketing nos meios de comunicação. Com
isso, eles martelam diariamente as idéias que irão
formar opiniões, conceitos e, em suma, estabelecer
as referências básicas da CULTURA e da ÉTICA
deste Estado e deste povo doente, enfraquecido e desmotivado.
Não existe um dia em que não se veja no Jornal
Nacional uma propaganda das “maravilhas” da
medicina. Todos os dias se fala na “evolução”
da pesquisa do câncer, enquanto o número de
mortos aumenta assustadoramente. Em relação
à exploração comercial de cadáveres,
o que temos visto é uma vergonhosa e – por
que não dizer? - criminosa indústria de transplantes
e doação de órgãos e sangue
(ainda bem estes malucos retiraram de nossas carteiras de
identidade aquele diploma de imbecil resumido na frase “DOADOR
DE ÓRGÃOS”). Como no conto “A
Nova Califórnia”, os ossos e a carne dos mortos
estão sendo literalmente transformados em ouro. Os
alquimistas buscavam a Pedra Filosofal, transformando chumbo
em ouro. A nossa medicina atual, que é herdeira dos
alquimistas, só falta meter chumbo nas pessoas para
garimpar ouro. E é impressionante como eles ficam
assanhados quando conseguem envolver o nome de pessoas mortas
famosas, como aconteceu há poucas semanas com o titã
Marcelo Fromer!
O caso do Marcelo Fromer foi uma coisa terrível,
em todos os sentidos: ele foi estupidamente atropelado no
dia 11 de junho de 2001 e, dois dias depois, no fatídico
dia 13 (!) de junho, teve morte encefálica, sendo
sepultado no dia seguinte. Como ele era jovem, forte, saudável,
bonito e famoso, os alquimistas de araque não perderam
a excelente oportunidade: criaram um fantástico teatro
de operações, onde, diante da poderosa mídia
global, esquartejaram o cadáver do rapaz e o dividiram
entre velhos e velhas à beira da morte (apenas as
córneas foram para pessoas jovens, William de 37
e Leonora Evangelista, 18. Maria Stella Fernandes, 50, recebeu
os pâncreas e um rim, mas faleceu no dia 17. O fígado
foi para uma mulher de 50 anos, cuja identidade ficou em
segredo. Maria de Souza Braga, 66 anos, recebeu o outro
rim. O coração foi parar nos peitos de Mário
Varjão de Oliveira, 52 anos, que estava – e
continua - desesperadamente agarrado a um fiapo de vida)!
Faço aqui uma observação: quando eu
os chamo de “velhos”, tendo eles entre 50 e
66 anos, quero dizer que eles estão realmente velhos,
com esta relativamente PEQUENA idade cronológica.
No início do século, eles realmente seriam
considerados velhos. Mas hoje, com tudo o que nós
conseguimos aprender, apesar da medicina, é perfeitamente
possível chegar saudável aos noventa anos
ou mais.
Aí é que está o cerne dos meus argumentos:
esta mesma indústria que desenvolve esta medicina
remendeira, é a indústria que gera a doença,
com uma alimentação altamente tóxica
que, ao longo dos anos acaba criando esta multidão
de inválidos. É bem verdade que houve um pequeno
progresso no esclarecimento da população em
relação aos riscos do cigarro, por exemplo.
Mas este dúbio progresso, infelizmente, se deu em
grande parte através de ações bilionárias,
movidas por advogados habilidosos, também para faturar
o seu quinhão na selvageria geral. Mas e o resto?
E a coca cola, com quem ninguém tem coragem de mexer?
E as gorduras, principalmente artificiais, hidrogenadas,
industrializadas, etc, e sua relação com o
fabuloso crescimento do câncer nas mulheres e todas
essas doenças do coração, pâncreas,
rins, etc??? Este é o centro da questão: estes
mesmos investidores que geram as doenças, usam até
a medicina para criar novas formas de faturar mais ainda,
montando franksteins com pedaços de cadáveres
e apresentando-os como jesuses ressuscitados! E ainda por
cima, criam campanhas motivadoras de “doações
de órgãos por amor”, quando é
sabido que um rim é vendido por eles por uma quantia
em torno de 300 MIL REAIS!
A indústria da doença e da morte provoca
as doenças, inventa a necessidade de soluções
desesperadas, anuncia a existência de “pesquisas
caríssimas” que nunca dão resultado
algum, e ainda pregam uma ÉTICA DA SERVILIDADE, onde
todos compram seus planos de saúde, doam seu dinheiro
para as tais pesquisas e ainda aplaudem a profanação
e a comercialização dos cadáveres de
seus filhos e parentes! Se os médicos buscassem a
verdadeira origem das doenças, as pessoas realmente
melhorariam de saúde e não necessitariam de
transplantes e implantes. Por isso, quando eu vejo nas revistas
a cara daquele véio frankestein que devorou o coração
do Marcelo Fromer, enxergo toda esta tragédia oculta
nos bastidores! E o meu próprio coração
se enche de ódio e revolta! Por que aquele coração
que ali está, mantendo vivo aquele zumbi e servindo
a toda esta bandalheira, é o mesmo que pulsou dentro
do peito do guerreiro de uma tribo cujo canto de guerra
foi um dos hinos da minha juventude: BICHOS ESCROTOS, SAIAM
DOS ESGOTOS, RATOS, SAIAM DOS SAPATOS, COELHINHO PELUDO,
VAI SE FUDER, POR QUE AQUI NA FACE DA TERRA SÓ BICHOS
ESCROTOS É O QUE VAMOS TER!!! CIDADÃOS CIVILIZADOS,
BEM OBEDIENTES E COMPORTADOS, VÃO PRO CARALHO!!!
Hoje tô panfletário como se tivesse voltado
aos 20!!!