Toninho Buda, 1o abril 2001
(Matéria escrita durante o vôo Belém/Rio)
Vôo 4297, Vasp, saindo de Belém com destino
ao Rio (escala em Brasília). 15:48hs de 1o abril
de 2001. Estou estreiando o meu lap-top em viagens. Há
algumas horas, recebi um e.mail do Marcelo Fróes,
berrando e me pedindo esta matéria. Vamos ver se
este passageiro da frente sossega o suficiente para que
eu possa continuar escrevendo... Bem, todos nós sabemos
dos problemas que Zé Ramalho teve que enfrentar para
conseguir fazer o seu disco com músicas do Raul Seixas.
Como dissemos em matéria de dezembro passado, este
trabalho dele é fundamental para marcar a entrada
do Novo Milênio. No entanto, ele teve que passar pelo
terror do humbral e consegujir dkd... o avião tá
balançando prá cacete... Bem, nós estávamos
falando da MALDIÇÃO DO BAÚ DO RAUL.
Pois é, gente! Abrir o Baú do Raul é
como abrir a caixa de pandora! De lá de dentro podem
sair coisas maravilhosas, mas ao mesmo tempo podem sair
coisas terríveis, pois Raul Seixas definitivamente
não veio ao mundo para passear. Ele veio para DAR
PREJUÍZO (principalmente se você fizer parte
daquilo que ele detestava)! A vida pessoal dele foi uma
barafunda tão grande, que as pessoas “normais”
inevitavelmente terão muito trabalho para desenroscar
o cipoal que ele deixou. E tudo indica que ele fez isso
de propósito, para fustigar para o resto da vida,
as medusas com as quais ele conviveu e que continuam enroscadas
e balançando nervosamente seus guizos por aí:
tschi-tschi-tschi-tschi-tschi...
Como todo mundo viu na imprensa, o pau quebrou entre Kika
Seixas (mãe legítima de uma das filhas do
Raul, e portanto com direitos de família) e Paulo
Coelho (parceiro em cerca de 40 músicas, das mais
de 300 que o Raul deixou, portanto, com direitos de posse).
O motivo imediato foi o CD do Zé Ramalho, que Paulo
Coelho proibiu que tivesse músicas assinadas por
ele em parceria com o Raul, em represália à
proibição que a Kika havia feito, de Chitãozinho
e Chororó gravarem a música Tente Outra Vez
(que é uma parceria Raul Seixas & Paulo Coelho).
Evidentemente, tudo isso esconde o que Belchior muito bem
definiu em uma de suas músicas: “esses casos
de família e de dinheiro, eu nunca entendi bem...”.
Mas é exatamente isso: uma grande família
brigando pelo espólio de um camarada que não
deixou nada escrito, não queria saber de nada disso
e tinha muita raiva de quem sabia ou estava interessado
em saber. E a baixaria sobrou para Zé Ramalho, que
sempre foi um companheiro fiel do Raul.
Por outro lado, as colocações de Paulo Coelho
foram realmente hilárias! Ele publicou um texto chamado
“ou todos ou nenhum”, para dizer que ninguém
mais gravaria as músicas de sua parceria com Raul
Seixas. No entanto, ao mesmo tempo, estava deixando o próprio
Zé Ramalho gravar “Eu Nasci Há Dez Mil
Anos Atrás” para a Rede Globo. E ainda se engalfinhou
com a Kika Seixas, numa baixaria de dar de dez em novela
mexicana! E sabem porque? O motivo principal (e pouco conhecido)
é que ela não deixou que ele comercializasse
na Europa as músicas que ele fez com o Raul. Mas
tem uma outra coisa que talvez seja o motivo mais forte
para que ele tenha entrado nessa história: interferir
no trabalho do Zé Ramalho! Vocês viram a matéria
do Jornal do Brasil, no domingo de carnaval? Lá estavam
as fotos dos três, separados: Zé Ramalho, Raul
e Paulo Coelho (onde estava a Kika, principal motivo da
discórdia total?). Ninguém talvez acredite
nisso, mas eu já vi coisas desse Paulo Coelho que
me convencem de que ele faria qualquer coisas para perturbar
o bom andamento das coisas, principalmente quando se trata
de uma figura forte como Zé Ramalho, cantando Raul
Seixas, na festa de passagem do milênio. Pois tudo
indica que ele fica extremamente incomodado com o sucesso
de Raul Seixas. Em 1992, ele fez tudo o que pôde para
denegrir a imagem do Raul, associando-a à magia negra.
Na ocasião, ele ia em programas de auditório
de jovens, com grande audiência, como o do Serginho
Groissman, para dizer para os jovens se afastarem das músicas
do Maluco Beleza, pois elas eram mantras de magia negra!
Ele queria claramente anular, neutralizar e destruir a influência
do Raul entre a juventude, numa postura evangélica
muito cretina, vinda de uma pessoa que sabidamente associa
seu próprio sucesso financeiro à sua suposta
“proximidade com Deus”.
Era só o que faltava! Há 10 anos que eu
venho repetindo, SOZINHO, esta cantiga de grilo: esse camarada
é dos mais negros agentes do obscurantismo! E por
causa disso arrumei encrenca até dentro de minha
família: minha mãe e minha irmã acreditam
na conversa de católico convertido desse camarada!
E digo uma coisa mais triste ainda: ele – Paulo Coelho
– já me ajudou muito. Se não fosse ele,
eu não teria conhecido a Europa em 1986. Mas por
causa de uma dívida dessa natureza, eu não
posso me calar quando ele envenena todo o trabalho da contracultura
no Brasil. Não posso me calar quando ele envenena
o nome do Raul e tenta destruir aquilo que o Raul conseguiu
implantar. Quando eu falo isso, parece viagem de doidão,
mas vocês não fazem idéia do quanto
isto é verdadeiro! O obscurantismo existe, o controle
de opinião pública existe; e este maldito
comportamento de rebanho impede a maioria das pessoas de
enxergar isto. Mas o importante é não calar.
Aliás, eu sou colaborador deste jornal somente para
ter espaço para falar da Contracultura e poder meter
o sarrafo na pilantrália !
Mas sabem o que o Zé Ramalho fez? Pegou somente
músicas assinadas pelo próprio Raul e refez
todo o trabalho. Substituiu as 9 músicas encrencadas,
e produziu um disco LINDISSIMO!!! E lhes digo mais: tenho
certeza de que ficou MUITO MELHOR do que ficaria se ele
tivesse gravado as músicas em que o Paulo Coelho
participa. E isso simplesmente porque ele pegou o LEGÍTIMO
RAUL SEIXAS, numa sequência de arrepiar os cabelos.
E o tratamento que ele deu a algumas músicas foi
realmente uma coisa fantástica! Quando esta matéria
for publicada, as músicas já deverão
estar tocando e vocês poderão conferir. Ele
abre com As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor.
Depois vem Metamorfose Ambulante, Ouro de Tolo, Você
Ainda Pode Sonhar (uma versão de Lucy in the Sky
with Diamonds, dos Beatles, feita pelo próprio Raul,
no seu primeiro LP, Raulzito e os Panteras), Dentadura Postiça,
Planos de Papel, O Trem das Sete, How Could I Know (na sua
segunda versão), Prelúdio e finalmente Para
Raul, uma música dele próprio em homenagem
a Raul Seixas, que também ficou linda.
É muito difícil dizer o que existe de melhor
neste trabalho. Mas eu destacaria, de passagem, a grande
sacada dele em transformar o gospel Dentadura Postiça
num blues emocionante. E também a grande novidade:
Zé Ramalho cantando em inglês, How Could I
Know! A emoção também corre solta em
Planos de Papel (com uma maturidade que o Raul não
tinha, por ser muito jovem na época), Trem das Sete
e Para Raul. Mas de arrepiar mesmo, prá arrebentar,
ficou Metamorfose Ambulante, que é a música
de trabalho do CD. Assim, ESTÁ ABERTO O NOVO MILENIO!!!
Estamos em procedimento de pouso em Brasília. São
17 hs. Desligo, porque tá balançando prá
caceteeeel;x/.l.
FINALMENTE ZÉ RAMALHO DEU A VOLTA POR CIMA
Toninho Buda, 1o abril 2001
(Matéria escrita durante o vôo Belém/Rio)
Vôo 4297, Vasp, saindo de Belém com destino
ao Rio (escala em Brasília). 15:48hs de 1o abril
de 2001. Estou estreiando o meu lap-top em viagens. Há
algumas horas, recebi um e.mail do Marcelo Fróes,
berrando e me pedindo esta matéria. Vamos ver se
este passageiro da frente sossega o suficiente para que
eu possa continuar escrevendo... Bem, todos nós sabemos
dos problemas que Zé Ramalho teve que enfrentar para
conseguir fazer o seu disco com músicas do Raul Seixas.
Como dissemos em matéria de dezembro passado, este
trabalho dele é fundamental para marcar a entrada
do Novo Milênio. No entanto, ele teve que passar pelo
terror do humbral e consegujir dkd... o avião tá
balançando prá cacete... Bem, nós estávamos
falando da MALDIÇÃO DO BAÚ DO RAUL.
Pois é, gente! Abrir o Baú do Raul é
como abrir a caixa de pandora! De lá de dentro podem
sair coisas maravilhosas, mas ao mesmo tempo podem sair
coisas terríveis, pois Raul Seixas definitivamente
não veio ao mundo para passear. Ele veio para DAR
PREJUÍZO (principalmente se você fizer parte
daquilo que ele detestava)! A vida pessoal dele foi uma
barafunda tão grande, que as pessoas “normais”
inevitavelmente terão muito trabalho para desenroscar
o cipoal que ele deixou. E tudo indica que ele fez isso
de propósito, para fustigar para o resto da vida,
as medusas com as quais ele conviveu e que continuam enroscadas
e balançando nervosamente seus guizos por aí:
tschi-tschi-tschi-tschi-tschi...
Como todo mundo viu na imprensa, o pau quebrou entre Kika
Seixas (mãe legítima de uma das filhas do
Raul, e portanto com direitos de família) e Paulo
Coelho (parceiro em cerca de 40 músicas, das mais
de 300 que o Raul deixou, portanto, com direitos de posse).
O motivo imediato foi o CD do Zé Ramalho, que Paulo
Coelho proibiu que tivesse músicas assinadas por
ele em parceria com o Raul, em represália à
proibição que a Kika havia feito, de Chitãozinho
e Chororó gravarem a música Tente Outra Vez
(que é uma parceria Raul Seixas & Paulo Coelho).
Evidentemente, tudo isso esconde o que Belchior muito bem
definiu em uma de suas músicas: “esses casos
de família e de dinheiro, eu nunca entendi bem...”.
Mas é exatamente isso: uma grande família
brigando pelo espólio de um camarada que não
deixou nada escrito, não queria saber de nada disso
e tinha muita raiva de quem sabia ou estava interessado
em saber. E a baixaria sobrou para Zé Ramalho, que
sempre foi um companheiro fiel do Raul.
Por outro lado, as colocações de Paulo Coelho
foram realmente hilárias! Ele publicou um texto chamado
“ou todos ou nenhum”, para dizer que ninguém
mais gravaria as músicas de sua parceria com Raul
Seixas. No entanto, ao mesmo tempo, estava deixando o próprio
Zé Ramalho gravar “Eu Nasci Há Dez Mil
Anos Atrás” para a Rede Globo. E ainda se engalfinhou
com a Kika Seixas, numa baixaria de dar de dez em novela
mexicana! E sabem porque? O motivo principal (e pouco conhecido)
é que ela não deixou que ele comercializasse
na Europa as músicas que ele fez com o Raul. Mas
tem uma outra coisa que talvez seja o motivo mais forte
para que ele tenha entrado nessa história: interferir
no trabalho do Zé Ramalho! Vocês viram a matéria
do Jornal do Brasil, no domingo de carnaval? Lá estavam
as fotos dos três, separados: Zé Ramalho, Raul
e Paulo Coelho (onde estava a Kika, principal motivo da
discórdia total?). Ninguém talvez acredite
nisso, mas eu já vi coisas desse Paulo Coelho que
me convencem de que ele faria qualquer coisas para perturbar
o bom andamento das coisas, principalmente quando se trata
de uma figura forte como Zé Ramalho, cantando Raul
Seixas, na festa de passagem do milênio. Pois tudo
indica que ele fica extremamente incomodado com o sucesso
de Raul Seixas. Em 1992, ele fez tudo o que pôde para
denegrir a imagem do Raul, associando-a à magia negra.
Na ocasião, ele ia em programas de auditório
de jovens, com grande audiência, como o do Serginho
Groissman, para dizer para os jovens se afastarem das músicas
do Maluco Beleza, pois elas eram mantras de magia negra!
Ele queria claramente anular, neutralizar e destruir a influência
do Raul entre a juventude, numa postura evangélica
muito cretina, vinda de uma pessoa que sabidamente associa
seu próprio sucesso financeiro à sua suposta
“proximidade com Deus”.
Era só o que faltava! Há 10 anos que eu
venho repetindo, SOZINHO, esta cantiga de grilo: esse camarada
é dos mais negros agentes do obscurantismo! E por
causa disso arrumei encrenca até dentro de minha
família: minha mãe e minha irmã acreditam
na conversa de católico convertido desse camarada!
E digo uma coisa mais triste ainda: ele – Paulo Coelho
– já me ajudou muito. Se não fosse ele,
eu não teria conhecido a Europa em 1986. Mas por
causa de uma dívida dessa natureza, eu não
posso me calar quando ele envenena todo o trabalho da contracultura
no Brasil. Não posso me calar quando ele envenena
o nome do Raul e tenta destruir aquilo que o Raul conseguiu
implantar. Quando eu falo isso, parece viagem de doidão,
mas vocês não fazem idéia do quanto
isto é verdadeiro! O obscurantismo existe, o controle
de opinião pública existe; e este maldito
comportamento de rebanho impede a maioria das pessoas de
enxergar isto. Mas o importante é não calar.
Aliás, eu sou colaborador deste jornal somente para
ter espaço para falar da Contracultura e poder meter
o sarrafo na pilantrália !
Mas sabem o que o Zé Ramalho fez? Pegou somente
músicas assinadas pelo próprio Raul e refez
todo o trabalho. Substituiu as 9 músicas encrencadas,
e produziu um disco LINDISSIMO!!! E lhes digo mais: tenho
certeza de que ficou MUITO MELHOR do que ficaria se ele
tivesse gravado as músicas em que o Paulo Coelho
participa. E isso simplesmente porque ele pegou o LEGÍTIMO
RAUL SEIXAS, numa sequência de arrepiar os cabelos.
E o tratamento que ele deu a algumas músicas foi
realmente uma coisa fantástica! Quando esta matéria
for publicada, as músicas já deverão
estar tocando e vocês poderão conferir. Ele
abre com As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor.
Depois vem Metamorfose Ambulante, Ouro de Tolo, Você
Ainda Pode Sonhar (uma versão de Lucy in the Sky
with Diamonds, dos Beatles, feita pelo próprio Raul,
no seu primeiro LP, Raulzito e os Panteras), Dentadura Postiça,
Planos de Papel, O Trem das Sete, How Could I Know (na sua
segunda versão), Prelúdio e finalmente Para
Raul, uma música dele próprio em homenagem
a Raul Seixas, que também ficou linda.
É muito difícil dizer o que existe de melhor
neste trabalho. Mas eu destacaria, de passagem, a grande
sacada dele em transformar o gospel Dentadura Postiça
num blues emocionante. E também a grande novidade:
Zé Ramalho cantando em inglês, How Could I
Know! A emoção também corre solta em
Planos de Papel (com uma maturidade que o Raul não
tinha, por ser muito jovem na época), Trem das Sete
e Para Raul. Mas de arrepiar mesmo, prá arrebentar,
ficou Metamorfose Ambulante, que é a música
de trabalho do CD. Assim, ESTÁ ABERTO O NOVO MILENIO!!!
Estamos em procedimento de pouso em Brasília. São
17 hs. Desligo, porque tá balançando prá
caceteeeel;x/.l.