CONTRACULTURA

MICK JAGGER by FRANK E AGUIAR

Toninho Buda, 16 maio 2000


Pois é, dizem que os Beatles se reuniram novamente para lançar dentro de algum tempo uma biografia do grupo. John Lennon será representado por Yoko Ono, na execução desse projeto que envolve cifras astronômicas. A grana será dividida por quatro e ela levará exatos 25% para o leitinho das crianças. Honestamente, eu não sei onde é que o Lennon poderia estar com a cabeça quando se encantou com ela. No entanto, só nos resta isso mesmo: ficar tentando entender alguma coisa desse mundo muito doido. Mas uma lição que fica para nós – os homens – é mais uma vez o inegável poder das mulheres. John naquela época era mais famoso do que Jesus Cristo. Yoko foi lá, pegou seu pano de prato e enxugou o suor que escorria do rosto do Superstar e pronto: táva feita a encrenca para o resto da vida; os Beatles agora são Paul, Ringo, George e Yoko!

Mas esse negócio de dominar um território faz parte do instinto de qualquer ser vivo. A gente pode observar na natureza: todos os animais demarcam seu território com fezes, urina, pelos, baba, gosma ou arranhões nas árvores; e o defendem com unhas e dentes. Mesmo na história da humanidade sempre foi assim: os povos sempre guerrearam por um solo para chamar de pátrio, à custa de muito sangue e sofrimento. Com tudo isso, qualquer ser humano tem na sua memória mais profunda e inconsciente a dor dos séculos e quer fugir dela de qualquer jeito. E o fardo das mulheres é muito mais pesado. Pois é muito mais delas a responsabilidade de gerar e cuidar da prole e da preservação da espécie. Assim, elas têm muito mais desenvolvido este instinto de pegar, dominar, matar, comer e alimentar os filhotes.

Para essas tarefas domésticas, elas desenvolveram e aperfeiçoaram cada vez mais as suas armas. E a principal delas é natural e originalmente o sexo. Desde criancinhas, já começam a aprender a rebolar e a transformar seu rabo numa armadilha fatal. Para piorar a situação, nos seres humanos aconteceu uma perigosa distorção na natureza. No reino animal, quase sempre os machos são muito mais bonitos, vistosos e atraentes do que as fêmeas. Mas na raça humana a mulher é muito mais bonita do que o homem. E isso confere a elas uma vantagem a mais, principalmente quando os homens continuam se comportando como se ainda não tivessem descido das árvores. A grande maioria dessa macacada vai lá, enfia a mão na cumbuca e não larga a castanha de jeito nenhum. Como disse Mick Jagger, numa canção de Bob Dylan: a nossa vida caminha sempre de qualquer jeito, like a rolling stone (você, que era tão bonita, agora tá dando prá um mendigo em troca de um PF...vai lá, you can’t refuse...). Aliás, Rajneesh também dizia que a gente nasce num lugar qualquer, arruma uma mulher qualquer, um trabalhinho qualquer e acaba morrendo assim, de jeito qualquer. O jogo é duro, compadre!


Mas depois de implantado o território, a tendência expancionista feminina quer romper fronteiras... Neste ponto eu gostaria de esclarecer o seguinte: mês passado eu havia escrito este artigo citando vários exemplos de pessoas que utilizam os recursos da sedução sexual para conseguir seus objetivos... Mas fui delicadamente alertado pelo nosso editor de que poderíamos arranjar encrencas desnecessárias... Reconheço – como explicarei a seguir – que existem formas e formas de falar sobre as coisas e a gente pode falar sobre isso de formas mais inteligentes, engraçadas e até educativas... O certo é que eu teria então que reescrever urgentemente a matéria (o que estou fazendo agora). Mas um acidente numa corrida de rua me fez ficar de cama alguns dias em abril, após uma cirurgia no joelho. E assim minha coluna (esta do jornal e não a que suporta meu cadáver) teve que ser deslocada para junho. Mas vamos lá...

Foi no leito de convalescença que eu assisti a esse grupo emergente chamado Frank e Aguiar, no Programa do Faustão, explicar de forma muito mais sadia e brilhante, o que eu estava furiosamente tentando esmiuçar neste artigo (diga-se de passagem, eu sou daqueles masoquistas que – quando está doente e de cama ou mesmo nos insuportáveis domingos de tarde – pensam que loucura pouca é bobagem e ligam a televisão). Quando o Frank entrou desfiando aquelas baixarias, pensei cá comigo que “depois do fracasso da comemoração dos 500 anos do Brasil, a putaria subiu de nível: foi da Bahia para Pernambuco, Ceará, etc”... Depois de uns repentes, uma das canções – anunciada como feita para defender as louras -, dizia que o que elas tinham não era burrice, mas preguiça de pensar... Depois detonaram outra pérola chamada Os Cinco Bichos que a Mulher Mais Gosta. E eu tive que reconhecer que o deboche é muito superior a toda a minha vã filosofia! Diz a letra que o sonho zoológico de toda mulher se resume em cinco animaizinhos de estimação (curiosamente o Frank não citou o cachorrinho que toda madame adora e nunca abandona!). Todo mundo viu, mas vale repetir a lição de sabedoria: toda mulher – se não tem - sonha ter um veado para lhe arrumar o cabelo e servir de conselheiro; um jaguar na garagem; um gato na cama; uma perua para discutir os assuntos debatidos com o psiquiatra cabeleireiro e finalmente um burro para pagar as suas contas. Taí, gostei! Mas repito que esqueceram do cachorrinho e também explicar como conciliar a convivência do gato com o cachorro disputando - na cama - a mesma picanha, aranha e piranha... Like a rolling stone.

 


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