CONTRACULTURA

MATRIX E A MÚSICA DA NOVA ACRÓPOLE

Toninho Buda, 6 junho 1999

Ontem – 5 junho 1999 – eu fui ao cinema ver Matrix e o filme mexeu muito comigo. Entendi o enredo como sendo uma parábola sobre a nossa velha e conhecida Sociedade Alternativa. O certo é que no meio da sessão eu me sentia tão energizado que tirei os óculos e consegui ler perfeitamente os letreiros e ver as imagens com nitidez. Fiquei muito feliz. Tive também a nítida sensação de que estamos no caminho certo e que não existe coisa mais importante do que continuar divulgando a necessidade de todos nós realizarmos as nossas vontades nessa vida. Matrix – com suas tinturas cibernéticas informatizadas - não é nada mais do que o novo nome do velho Sistema, esta armação escravizadora, sangue-suga e safada. E que nós devemos compreendê-los e aprender todas as suas artimanhas, para que possamos combatê-los, neutralizá-los e retirá-los do nosso caminho.


Depois de muitos meses dedicado à engenharia, estou voltando à ativa na Contracultura! Nisso, eu fui também ver uma palestra excelente, chamada “O Poder Curativo da Música”, na Nova Acrópole, em Juiz de Fora (fone 032 - 216.3980 e wwwacropolis.org). A Nova Acrópole é um movimento humanista, filosófico e sócio-cultural, que em pleno final de Século XX busca também por uma nova sociedade, onde a educação seja dirigida no sentido de potencializar os mais nobres ideais do ser humano. Ela foi fundada por Jorge Angel Livraga Rizzi (ou JAL) há 41 anos e existe em mais de 40 países. No Brasil, o Estado onde ela mais se desenvolve é Minas Gerais. Entre os seus princípios, estão: 1) Reunir homens e mulheres de todas as raças, crenças e condições sociais, em torno do ideal da Fraternidade Universal; 2) Despertar nas pessoas a visão global, mediante o estudo comparado de filosofias, ciências, religiões e artes (música, teatro, dança, pintura, escultura, etc); 3) Desenvolver as capacidades das pessoas para se integrarem na Natureza e viver segundo as características de suas próprias personalidades. Não é interessante?

Além disso, esta sociedade é uma dissidência de uma ordem iniciática muito famosa no final do Século XIX, chamada “The Theosophical Society”, fundada pela grande ocultista russa Helena Petrovna Blavatsky (Rússia 1831, Londres 1891), em 17 de novembro de 1875. Madame Blavatsky escreveu obras primas do ocultismo, como Ísis sem Véu, A Doutrina Secreta, A Voz do Silêncio e A Chave da Filosofia. Ela é a figura mais representativa do ocultismo do final do século passado. Por outro lado, apesar do nome, a Nova Acrópole não está ligada somente à Cultura Grega (já que a Acrópole era o principal templo das cidades gregas. Ele ficava no ponto mais alto das cidades e servia como templo, escola e também fortaleza, no caso de ataques de inimigos). Mas dos gregos ela preservou o amor à música e a compreensão de que ela - a música - é uma das formas mais sublimes e perfeitas do crescimento do Ser Humano e uma das chaves mais sutis para que ele compreenda o funcionamento das Leis do Universo.


Bem, a palestra sobre o poder curativo da música foi proferida pela professora Kátia Sanábio, que nos brindou com coisas interessantíssimas. Ela disse que tem sido feito experiências com músicas para atenuar o sofrimento de pessoas com doenças graves como o câncer, por exemplo. Determinadas músicas, atuando no campo emocional, “desviam a atenção” do organismo e aliviam muito a sensação de dor. Em pessoas saudáveis, as músicas clássicas - por exemplo - tem o poder de estruturar o psiquismo, em todos os níveis. Mas a história também tem coisas curiosas com relação à música. Na China antiga, era proibido tocar músicas sensuais em público, pois eles sabiam que as músicas com conteúdo erótico são capazes de desviar o povo do trabalho! A professora não disse isso, mas fica fácil compreender por que os baianos têm fama de preguiçosos!!!

Mas falando da diferença de culturas, a professora destacou que os europeus têm uma educação completamente diferente da nossa. Eles sempre cantam muito bem, mas dançam muito mal (haja vista o vexame que os europeus sempre dão, quando tentam sambar no Brasil. Mesmo os bailarinos de companhias de dança). Como a música se divide em harmonia, melodia e ritmo, parece que os europeus estariam mais ligados à melodia e nós ao ritmo. O ritmo realmente parece estar mais relacionado com o nosso corpo físico do que com o corpo emocional. Numa divisão da nossa estrutura geral, nós poderíamos representar o Ser Humano dividido da seguinte forma:

ALMA --------------- relacionada com o TODO
CORPO MENTAL, relac. com a HARMONIA (Europeus)
CORPO EMOCIONAL, relac. com a MELODIA (Europeus)
CORPO ENERGÉTICO, relac. com o RITMO (Brasileiros)
CORPO FÍSICO, relacionado com o RITMO (Brasileiros)


Outra coisa muito interessante é a musicalidade presente na nossa própria voz. Cada região do Brasil, por exemplo, tem um sotaque e uma forma “cantada” de falar, que é completamente diferente das outras. E o mais interessante ainda é que com a convivência, nós acabamos por pegar o sotaque de outras regiões. Isso se explica talvez pelas leis da ressonância. Um cientista inglês chamado Christian Huygens mostrou - há 300 anos atrás - que dois pêndulos pulsando próximos um do outro, tendem a entrar em harmonia. Isto acontece também com os seres humanos! Duas pessoas convivendo juntas têm tendência (se não houverem acidentes, claro) de entrar em harmonia. Nosso corpo é extremamente suscetível à música, os órgãos têm seus “tons” mais coerentes e assim por diante. A professora Kátia tem feito experiências fantásticas também com crianças excepcionais, que mostram melhoras incríveis no aprendizado, quando as aulas são auxiliadas por - ou feitas com - conteúdos musicais. Existe também farta bibliografia para as pessoas que se interessarem pelo assunto. Livros como “O Tao da Música”, “O Poder Oculto da Música” e até numa publicação chamada de “Obras Póstumas” (de Alan Kardec) tem um capítulo sobre harmonia. Hi! Tinha um monte de coisas mais para falar, mas o espaço acabou! E como quem canta seus males espanta, dêem um jeito de cantar para espantar a Matrix! Até outra vez!

 


Voltar à Contracultura
 

® Todos os direitos estão resevados para Antônio Walter Sena Júnior