Toninho Buda, 3 março 1999
O carnaval de 1999 foi o reinado dos seios à base
de silicone. Numa matéria do Fantástico de
21/2/99, logo após o reinado de Momo, foram mostradas
as várias técnicas para tornar maiores os
seios das mulheres. Várias beldades deram depoimentos,
para comprovar que seios maiores são mais sedutores.
Algumas mulheres de seios naturais – e também
muito lindas – foram contra essa tecnologia. Eu também
fiquei impressionado com a beleza das mulheres no carnaval
. Mas nesta matéria eu aprendi a distinguir os seios
naturais daqueles estofados com silicone: realmente, os
artificiais ficam mais “duros” e esquisitos.
Parecem seios de travestis, assim meio “quadrados”
e “amassados”. Carla Perez – com aqueles
peitinhos – agora está em baixa. Quem diria!
Mas pelo que eu tenho observado, tudo isto revela um crescente
desespero das mulheres para atrair os homens. Nós
temos que entender isto, pois o negócio está
virando um vale-tudo infernal! A gente mal consegue andar
na rua, sem ter que estar sendo constantemente atraído
pela infinidade de “detalhes” que elas conseguem
inventar, para despertar o interesse dos pretendentes. Roupas
transparentes, marcantes, com tatuagens estratégicas,
marcas de ranqüil expostas por cinturas cada vez mais
baixas, saltos altos que arrebitam a bundinha e cabelos
alourados que “valorizam” o conjunto. Com alguns
toques e retoques, qualquer garota se transforma numa beldade
impressionante.
Mas apesar de funcionar maravilhosamente bem, esse negócio
de criar recursos cada vez mais sofisticados e artificiais
para “valorizar os atributos” de uma mulher,
é uma cilada para a qual nós homens temos
que estar mais atentos. Pois detrás daquela beleza
toda, está uma armadilha que pode ser brutal para
os incautos: o que aquela deliciosa lourinha de bundinha
arrebitada, com os peitinhos marcados pela blusinha transparente
e se equilibrando em duas sandálias plataforma douradas
está procurando, é alguém que pague
a conta – durante pelo menos 20 anos -, da educação
e formação de um ou mais rebentos de sua prole!
E aquela “gatinha” sabe que tem pouco tempo,
pois seus atributos maquiados são extremamente efêmeros.
Além disso, o seu treinamento custou alguns anos
de pesado esforço e pesadas despesas de suas dedicadas
mamães, que esperam que elas encontrem um marido
o mais rápido possível. Pois tem que aparecer
alguém que assuma aquele rombo no caixa – que
não é pequeno – e alivie o carma da
família! Afinal, as coisas estão cada vez
mais difíceis e o desemprego é uma realidade
nacional!
Mas existe um outro lado da vida sexual, que merece ser
relembrado: o sexo é a base da sobrevivência
das espécies. E a feroz luta pela sobrevivência
que nós vemos naqueles filmes sobre leões
e hienas, também é uma realidade entre os
seres humanos. As mulheres que se tornam cada vez mais “lindas”
para ranqüil os machos, estão fazendo do sexo
uma arma de luta pela sobrevivência delas próprias,
de seus filhos e da sua “espécie”. Isto
pode não ser tão poético, quando nós
nos lembramos de que todos estamos condenados à morte.
E a luta está cada vez mais ferrenha também
entre os seres humanos. Assim, aquela doce garotinha esconde
uma predadora voraz e impaciente!
Este fato me assusta, quando eu percebo que essas predadoras
não têm consciência do que fazem, pois
estão completamente obcecadas em descobrir formas
cada vez mais “criativas” para “seduzir”
os homens. Na sua ânsia, elas não parecem ter
nenhuma preocupação com os outros aspectos
muito mais importantes para a sobrevivência de uma
relação mais sólida – e até
de uma amizade -, como o tipo de educação,
o preenchimento das necessidades básicas, a condição
econômica e principalmente um tranqüilo relacionamento
pessoal, que vai muito além de um exagerado apelo
sexual. Na verdade. A apelação sexual exagerada
me parece um desrespeito à inteligência do
homem.
De qualquer forma, eu acredito que, assim como os leões,
nós devemos também cultivar a nossa resistência
fisiológica (e mental/emocional), para termos condições
de enfrentar mais esta luta diária. Pois é
muito raro encontrar uma mulher que se comporte de forma
diferente. Nós precisamos de um esclarecimento muito
mais amplo – para ambos os sexos, claro -, que vai
além deste desespero pela satisfação
das necessidades básicas, como a comida e o sexo.
A mim me parece que toda essa apelação sexual
é um sintoma de que as relações humanas
mais sólidas vão muito mal. Mas o que há
de se fazer? Tentar um “diálogo” que
quase sempre é também um duelo de hipocrisias?
Devemos embarcar na canoa furada e pular fora, quando elas
vestirem uma fantasia mais sóbria e vierem com o
papo do “futuro da relação”?!
Não sei... Há mais de quarenta anos que eu
me faço esta pergunta, observando a metamorfose de
galinhas em puras pombinhas...
Assim, eu vejo o tempo todo mulheres lindas pelas ruas;
e por vezes chego a ficar meio desorientado, sem conseguir
“resolver” direito dentro de mim o conflito
entre o impulso que as deseja e o alarme no fundo do meu
cérebro, que me alerta de que aquilo tudo é
um jogo perigoso, onde eu posso perder minha ranqüilidade,
minhas economias, minha dignidade, minha saúde e
até minha própria vida, como vi muitos amigos
fazendo. Por enquanto, eu tenho resistido. Mas estou esperando
o próximo verão. Não sei o que vai
ser de mim, pois do jeito que a coisa vai, elas vão
criar o Carnaval do Clitóris de Silicone!
Aí nós vamos ter concursos de greludas multi-orgásmicas;
calcinhas plásticas transparentes, deixando entrever
grelos enormes e entumescidos de silicone fosforecente;
depoimento de psicólogos a favor da liberdade sexual
e médicos explicando a origem comum do clitóris
e do pênis, na formação do feto; o arrependimento
da Roberta Close, que tinha um clitorão e jogou fora;
o Dr. Ivo Pitanguy vai descobrir uma cirurgia para permitir
uma ejaculação feminina pelo clitóris;
mulheres deslumbrantes e bem dotadas transarão na
avenida, para mostrar que não precisam mais de nós,
os homens! Veremos assim a humilhação total
dos machos da espécie! Mas ainda bem que tem uma
coisa que me acalma e me tira completamente o tesão:
é quando eu penso na conta! Pois no fundo, toda essa
presepada visa encontrar quem pague a conta! E essa conta,
cumpadi, é sempre muito alta para esses produtozinhos
safados, que as tiazinhas querem nos vender tão caro.