CONTRACULTURA

JIMMY PAGE AND ALEISTER CROWLEY (II)

Baseado na tradução do texto “Jimmy Page and Aleister Crowley”, by MacGregor Mathers.

Toninho Buda, outubro 1998


Alô, gente! Vamos finalmente para a terceira e última parte desta história. Antes eu gostaria de esclarecer uma coisa que fiquei sabendo há algumas semanas, através da Gertrudes: o tal “Black Labrador” é uma raça de cachorros! Bem, continuemos o texto:

O álbum “Presence”, do Led Zeppelin tem na capa um estranho objeto, um obelisco que muitos ficariam admirados sobre o que significa e poderia simbolizar. No livro “Magick and Theory and Practice”, na seção que trata do mobiliário do templo, Crowley menciona um obelisco. Quando ele fala sobre o que poderia ficar no altar, explica que de cada lado deve ser colocado um pilar ou obelisco com cores contrastantes, um branco e outro negro.

Existem rumores de que o “The Old Absinthe Bar” em New Orleans (localizado na rua Bourbon 400) foi o local escolhido como teatro, ou pelo menos para inspiração, das cenas interiores de “In Through the Out Door”. O Led Zeppelin ficou conhecido como sendo chegado ao quarteirão francês de New Orleans. Crowley, nas suas memórias, também tinha um carinho especial pelo “The Old Absinthe House”. “Eu aluguei um quarto convenientemente próximo do ‘The Old Absinthe House’, onde qualquer pessoa poderia ter acesso ao verdadeiro absinto preparado em fontes de cujo mármore vinha gotejando há mais de 90 anos”.


“The Old Absinthe House” inspirou o ensaio “The Green Goddess” (“A Deusa Verde”), de Aleister Crowley (N.T.: é interessante observar que na carta 14 - A Arte -, do Tarot de Crowley, a mulher de duas faces que faz a alquimia entre o leão e a águia está completamente vestida de verde. A carta 14, no Tarot, fica entre a carta 13/morte e a 15/diabo). Se você for hoje ao “The Old Absinthe Bar”, poderá encontrar na parede um retrato de Jimmy e sua ex-esposa, com uma história de como eles se encontraram ali...

Após a morte do Led Zeppelin, quando Jimmy Page finalmente fez seu album solo, ele o chamou de “Outrider” (“Cavaleiro Solitário”). Existe uma menção no “Diary of a Drug Fiend” (“Diário de um Drogado”), que diz o seguinte: “Oh, tu, Cavaleiro Solitário do Sol, que esporeia os flancos sangrentos do vento! Adore-o o mais que você puder, evoque-o! Eu adoro-o profundamente, IAO! (página 27 do “Diary of a Drug Fiend”. N.T.: IAO é o supremo mistério da divindade, expresso na trindade egípcia Ísis - a Mãe -, Apophis - ou Orus, o Filho -, e Osiris - o Pai -. Por outro lado, é interessante também observar as cartas “Knight of Cups” e “Knight of Swords” - respectivamente “Cavaleiro de Copas” e “Cavaleiro de Espadas” -, do Tarot de Crowley:


Nestas cartas, ambos os cavaleiros são seres alados, esporeando seus cavalos no espaço. É interessante também observar que o Cavaleiro de Copas levanta uma taça em direção ao Sol, simbolizando a fertilização pela energia do Universo. Já o cavaleiro de espadas “mergulha” velozmente em direção à terra, também simbolizando a fertilização da Grande Mãe Natureza. Em magia, a espada sempre foi símbolo do homem e copas - ou taça - é símbolo da mulher). Talvez tenha sido daí que Jimmy tenha tirado inspiração para o título do seu álbum “Outrider” (“Cavaleiro Solitário”), talvez não... Por outro lado, esta é uma outra correlação com o “sun/sol”.

Quando Jimmy Page criou uma empresa para controlar seus direitos autorais e royalties, ele escolheu para ela o nome de “Succubus Music” (“Súcubo Música”). Súcubo é um espírito ou demônio fêmea, que busca os homens à noite para copular (N.T.: e sugar energia vital! O primeiro grande trabalho acerca dos íncubos e súcubos foi redigido pelos padres dominicanos Heinrich Krammer e Jacobus Sprenger no “Malleus Maleficarum”, o famoso “Manual de Caça às Bruxas”, publicado em 1486. As autoridades da Igreja na Idade Média achavam que existiam muito mais súcubos do que íncubos porque, para eles, “as mulheres são mais licenciosas do que os homens”...). O súcubo ainda é mencionado num poema bem ao estilo de Crowley (página 145 de “Trabalhos Selecionados”). Uma linha deste trabalho pode ser citada, para mostrar as relações entre o amor e os ladrões (N.T.: provavelmente o “amor” expresso nas músicas e os “ladrões” de direitos autorais que - como os súcubos - exploram a energia e o trabalho dos artistas, enquanto eles estão dormindo ou distraídos): “Eu vou deixar que vocês ponderem sobre como todas as músicas atraem os ladrões do amor...”.


Em 1994, Jimmy Page e seu velho companheiro de banda Robert Plant foram juntos gravar “No Quarter”. Este trabalho foi oficialmente lançado na MTV, em 12 de outubro de 1994, aniversário de nascimento de Aleister Crowley (N.T.: Crowley nasceu em Clarendon Square, 36, na cidade de Leamington, Inglaterra, às 22:50 hs do dia 12 de outubro de 1875. Portanto, “No Quarter” foi lançado no aniversário de 119 anos do nascimento da “Grande Besta”). Maiores referências sobre o “olho” podem ser encontradas no album IV do Led Zeppelin, onde está colocado o trabalho de Barrington Colby - “View in Half or Varying Light” - sobre um espelho, mirando o “Black Dog”.

Bem, minha gente, aqui se encerra a nossa tradução de “Jimmy Page and A. Crowley”. Esperamos que este trabalho tenha contribuído de alguma forma para que as pessoas possam entender melhor o trabalho do guitarrista Jimmy Page. Segundo Crowley, “Magia é a arte de provocar mudanças de acordo com a Vontade”. E quem assistiu às apresentações de Jimmy e Plant no Brasil, pode ter certeza de que eles realizaram aqui também um dos “Cinco Atos Mágicos Clássicos”: o Encantamento das multidões*.

* Disse Raul Seixas - também discípulo de Crowley - em 1975, na música “Eu sou Egoísta”, em parceria com Marcelo Motta (o maior estudioso de Crowley na América Latina): “eu vou, sempre avante no nada infinito, flamejando o meu rock, o meu grito, minha espada é a guitarra na mão!”.

 

 


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