Baseado na tradução do texto “Jimmy
Page and Aleister Crowley”, by MacGregor Mathers.
Toninho Buda, outubro 1998
Caros leitores: continuemos a tradução do
texto em inglês que eu recebi do Marcelo Fróes,
assinado por um tal “MacGregor Mathers”. Como
eu havia dito, isso é estranho, pois o MacGregor
Mathers da história do ocultismo mundial morreu em
19818, depois de um feroz duelo mágico com Aleister
Crowley, pela liderança da Golden Dawn (uma ordem
iniciática fundada pelo próprio MacGregor
Mathers no final do Século XIX, junto com alguns
estudantese que frequentavam o Museu Britânico). Bem,
o Marcelo me mandou este texto porque sabe que eu sou estudante
de Crowley desde 1976. Assim, além de traduzir, posso
dar informações paralelas. Então, vamos
à segunda parte:
No filme “The Song Remains the Same”, os olhos
de Jimmy ficaram vermelhos como brasas, enquanto ele descansava
nos arredores de sua casa. Jimmy havia falado muitas vezes
sobre essas fantasiosas sequências do filme, dizendo
que elas eram “prazeres visuais”. Essas sequências
aparecem na maioria das fantasiosas cenas. Quando elas se
referem ao número 777, é preciso associá-las
aos ensinamentos de Crowley: “Os signos do zodíaco
se manifestam de diversas formas, inclusive em concordância
com os planetas. Assim, o sol e a Lua estão relacionados
como os olhos” (pag.143).
Vocês poderiam ficar maravilhados, se entendessem
todos os significados disso. O Sol simboliza o signo do
sol. Dois deles podem ser claramente visualizados, intimamente
integrados com os símbolos de Jimmy Page (N.T.: vide
obs. 1, no final do texto). Além do mais, Jimmy daria
mais tarde ao seu estúdio em Windsor, o nome de “Sol
Studios” (N.T.: observe-se que Sol em inglês
é “sun”. Quando ele chama o seu estúdio
de “Sol”, está se referindo ao signo
zodiacal). Sol é o senhor di signo de Leão.
Consequentemente, Robert Plant é um leão.
Imagine isso!!
Em 1973, Jimmy Page ofereu a Kenneth Anger (N.T.: famoso
cineasta underground, homossexual, que fez vários
filmes estranhíssimos, todos inspirados na obra de
Crowley) um livro de Aleister Crowley chamado “The
Scented Garden of Abdullah the Satirist of Shiraz a.k.a.
Bagh-i-Muattar” (“O Jardim Perfumado de Abdullah,
o Satírico...” N.T.: acerca dos “sátiros”,
vide obs.2 no final do texto). O “Bagh-i-Muattar”,
um dos livros que Crowley escreveu num período qualquer
de 1914, não é nada mais do que um texto sobre
práticas homossexuais, disfarçadas sob uma
capa de misticismo sufi.
Também em 1973, Jimmy Page adquiriu um espaço
chamado “Plumpton Place” e distribuía
um cartão pessoal com endereço e telefone,
com a imagem de Pan impressa. Ora, Pan - na Árvore
da Vida - é um atributo de Capricórnio e do
“Caminho de Ayin”, uma letra do alfabeto hebraico
que, quando pronunciada, tem o mesmo som da palavra que
significa “olho” (pag. 161 de “The Eye
in the Triangle”, ou “O Olho no Triângulo”).
Jimmy Page, nascido em 9 de janeiro de 1944, é do
signo de Capricórnio.
Quando o Led Zeppelin criou a sua própria gravadora,
foram cogitados vários nomes para ela. Jimmy sugeriu
“Swan Song” (“O Canto do Cisne”.
N.T.: observe-se que existe a lenda de que o cisne só
canta pouco antes de morrer!), que fora anteriormente o
título de um partitura para guitarra que ele escrevera.
Coincidentemente, aleister Crowley chamou-se a si mesmo
de “Paramahansa”, que quer dizer “O Cisne
Divino”. “Aleister escreveu e o cisne selvagem
cantará para sempre; e meu coração
cantará para sempre” (“The Electric Silence”).
O cisne é o espírito do êxtase e simboliza
o “self” eterno (N.T.: para entendimento mais
claro do que seja “self”, vide “O Homem
e Seus Símbolos”, de Carl Gustav Jung).
Em 1976, Jimmy page abriu uma livraria chamada “The
Equinox”. Lá ele vendia a parafernália
de Crowley e tinha colocado - decorando a janela - uma tapeçaria
com a “Stela da Revelação” (N.T.:
uma reprodução da famosa “Stella 666”,
que Crowley encontrou no museu do Cairo, no Egito, em 1904
e que lhe deu o caminho para o encontro com o seu “anjo
guardião”, para dele receber o “Liber
al vel Legis” - “O Livro da Lei”). Ele
estava, sem dúvida alguma, inspirado pela obra de
mesmo título - “the Equinox” -, de Aleister
Crowley. Jimmy também usava o desenho original da
capa do “Equinox” no emblema de sua loja. Entre
1909 e 1914, Aleister Crowley publicou na Inglaterra, com
este nome, um lindo e enorme periódico. Na capa,
haviam duas frases “The Aim of Religion” e “Method
of Science”. O periódico trazia uma grande
variedade de poemas, músicas, histórias curtas
e uma miscelânea de matérias ocultistas (estas
informações podem ser encontradas também
no prefácio de um livro de Crowley chamado “Magick
without Tears” - “Magia sem Lágrimas”).
Ok, minha gente! Eu sei que está muito interessante,
mas o espaço acabou. No próximo número
a gente continua! Um grande abraço!
Obs.1: é importante ressaltar a diferença
entre “símbolo” e “signo”.
Símbolo: objeto material que serve para representar
qualquer coisa imaterial: o leão é o símbolo
da coragem. Psicologia: imagem que representa e encerra
a significação de tendências inconscientes.
Química: representação do elemento
químico. Teologia: sinal sensível de um sacramento.
Formulário que contém os principais artigos
de fé ensinados antigamente aos catecúmenos.
Signo (astrologia): cada uma das doze partes em que se divide
o zodíaco e cada uma das respectivas constelações
(há 2.000 anos atrás, observe-se!).
Obs.2: Sátiros - na Mitologia Grega, eram os filhos
de Baco e Nicéia. Simbolizavam as forças incontroláveis
da natureza vegetal e animal. Eram metade gente e metade
bode, com orelhas pontiagudas, chifres e pés de cabra.
Eram descritos como seres jovens e doces, travessos e maliciosos,
interessados em música, arte, dança e muito
sexo. Ou seja: esse negócio de “jovens artistas
doces e maliciosos” tem tudo a ver com a viadagem
generalizada de que nos fala o nobre cantor Falcão!