CONTRACULTURA

JIMMY PAGE AND ALEISTER CROWLEY (I)

Baseado na tradução do texto “Jimmy Page and Aleister Crowley”, by MacGregor Mathers.

Toninho Buda, outubro 1998


Caros leitores: eu recebi do Marcelo Fróes - em inglês - este texto assinado por uma pessoa com o pseudônimo de MacGregor Mathers. Ora, estranho! Pois o MacGregor Mathers da História do ocultismo mundial morreu em 1918, depois de um feroz duelo mágico com Aleister Crowley, pela liderança da Golden Dawn (uma Ordem Iniciática fundada por Mathers no final do século XIX, junto com alguns estudantes que frequentavam o Museu Britânico). Crowley acabou destruindo completamente a Golden Dawn... Mas eis que MacGregor Mathers volta aqui para nos falar sobre Jimmy Page e Aleister Crowley! Do alto dos meus 6 anos de CCAA e 30 dias em New York City e Miami Beach, vou tentar traduzir o texto, comentando com o que tenho em meus arquivos históricos, sobre o assunto. Naturalmente, precisaremos ocupar mais de uma edição desta nossa coluna. Mas vamos lá. Ouçamos este outro MacGregor Mathers:

“Tanto Jimmy Page como Aleister Crowley são individualidades controvertidas, diferentes e de estilo próprio. Este ensaio versa sobre as semelhanças entre os trabalhos de ambos. Eu acredito que - embora Jimmy Page tenha variados motivos que o inspirem -, o trabalho de Aleister Crowley (e sua consequente influência) seja maior do que possa parecer. É importante acrescentar que qualquer pessoa pode utilizar os textos de Crowley para melhor entender o enigmático Jimmy Page.


Para começar, Jimmy comprou o chalé de caça e abrigo escocês de Crowley, ‘Boleskine House’, em 1971. Situado às margens do lago Lock Ness, Boleskine House tem um isolamento perfeito e é um excelente lugar para se escrever ou meditar. Crowley originalmente comprou a casa visando realizar ‘The Sacred Operations of Abramelin the Mage’ (N.T.: a ‘Operação Sagrada de Abramelin o Mago’. Este texto - impresso em 1458 - fora descoberto pelo Mather do século passado, na Biblioteca do Arsenal, em Paris. É o mesmo texto que Raul Seixas segura na capa do seu penúltimo LP, ‘A Pedra do Gênese’, de 1988). Jimmy Page nunca viveu ali; e recentemente ele se desfez do local.

Em março de 1971, Jimmy foi agraciado com uma filha que ele chamou de Scarlet Lilith Eleida Page. Este nome tem alguma familiaridade com os pronunciamentos de Crowley sobre a ‘Mulher Escarlate’ (‘Scarlet Woman’). Certamente, o fato dele ter escolhido chamar sua filha de Scarlet não foi inspirado pela Scarlet O’Hara, da novela ‘Gone with the Wind’... A ‘Mulher Escarlate’ era um termo técnico para identificar uma mulher inspirada e capaz de ser mediadora entre os homens e os deuses. Além disso, Crowley também chamou sua primeira filha de Lilith, no que parece que foi imitado por Jimmy.


Na vela mortuária situada no centro do LP Led Zeppelin III, alguém poderá encontrar o slogan telemita ‘Do What Thou Wilt’ (‘Faze o que tu queres’). Parece que esta inscrição saiu em todas as prensagens dos discos, com exceção de um disco promocional de selo branco do album. Existe uma entrevista na qual Jimmy disse que esta inscrição foi ali colocada seguindo instruções, mas sob o manto do mais estrito segredo (além disso, a inscrição não está completa, por falta de espaço. O completo seria ‘Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei’).

Diz Jimmy Page que esta ‘é uma proposta filosófica, mas não se deve ir, de cara, muito fundo nela. Ela é muito antiga e pertence à Velha Religião. Se você quiser ir mais fundo, existem condições para isso, mas pouquíssimas pessoas teriam condições para instruí-lo. Ela não é como nós poderíamos supor à primeira vista, devido às suas características esotéricas e suas sutilezas. Eu acho que ninguém poderia compreendê-la sozinho’.

Por outro lado, o LP ‘Led Zeppelin IV’ tem algumas ‘coincidências crowleyanas’ interessantes e é perfeitamente possível que sejam apenas coincidências. Por exemplo: Crowley escreveu um poema chamado ‘The May Queen’ e alerta o leitor para que consulte ‘Frazer’s The Golden Bough’ (‘O Ramo de Ouro’ de Frazer), para compreender melhor o assunto. Coincidentemente, Robert Plant cantou ‘May Queen’ no épico ‘Stairway to Heaven’, cujo significado é um permanente mistério na obra do Led Zeppelin’.

E tem mais: na obra ‘The Magician’ (‘O Mágico’), de W. Somerset Maugham, a personagem Oliver Haddo foi baseada em Aleister Crowley. As cenas de abertura se passan no ‘Chien Noir’ (em francês, ‘Cão Negro’). O cachorro negro desta novela foi baseado no verdadeiro ‘Chat Blanc’ (‘Gato Branco’), um pequeno restaurante em Montparnasse (França). Mas ‘Black Dog’ (em inglês, ‘Cão Negro’) é uma das produções do Led Zeppellin, supostamente inspirada por um verdadeiro e velho lavrador negro que apareceu no pedaço. Diz MacGregor Mather que acredita na versão oficial...”.


Bem, gente, o assunto está muito interessante, mas por hoje eu vou parando por aqui, pois aconteceu um negócio muito estranho! Eu tenho que entregar esta matéria hoje e tive que traduzir “black labrador” por “lavrador negro” (pois me pareceu muito evidente...). Mas eu fui procurar a tradução de “labrador” em dois dicionários de inglês e não encontrei esta palavra (o dicionário eletrônico disse “not found”). Ou eu estou chutando, ou então o lavrador - que apareceu durante a produção de “Black Dog” do Zeppelin -, desapareceu dos meus dois dicionários! Eu tô fora, eu tô fora! Benzadeus !!! MAS CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO! ATÉ LÁ!


Nota: alguns dias após a redação deste texto, Toninho Buda foi informado - pela Gertyrudes - que "black labrador" é uma raça de cachorros.

 


Voltar à Contracultura
 

® Todos os direitos estão resevados para Antônio Walter Sena Júnior